GT presencial 1 Sensibilidades corporais, ambientais e sonoras na Manutenção de Mundos

Título: "Sensibilidades corporais, ambientais e sonoras na Manutenção de Mundos"

Coordinación / Coordenação

Dra. Deise Lucy Oliveira Montardo (Universidade Federal do Amazonas)

Dra. Lucrecia Raquel Greco  (Instituto de Ciencias Antropológicas, Universidad de Buenos Aires/CONICET, Argentina)

Moderación / Moderação

Dra. Fernanda Marcon (Universidade Federal da Fronteira Sul, Brasil)

Resumen / Resumo

Neste GT condensamos discussões oriundas de pesquisas sensíveis aos conhecimentos/epistemologias corporais, ambientais, sonoras e artísticas como via de criação de refúgios contracoloniais.

Propomos aprofundar diálogos entre pesquisadores de territórios distintos que estão trabalhando com a inter-relação entre corporalidades, música, dança, território e contracolonizacao. Em contextos onde a violência da colonização provocou e provoca um silenciamento, estigmatização e/ou apropriação indevida de práticas de dança e musicais, experiências recentes, têm trazido a força da música e da dança como ativadores e reatualizadores da memória, potência de luta, criação de territórios. Interrogamos as formas em que sensibilidades corporais, ambientais sonoridades contribuem para construir conhecimento antropológico a partir de uma atitude micro/cosmopolítica contracolonial.

Acreditamos que as explorações da corporeidade com técnicas somáticas, animistas, música, pesquisa corpo/territorio, etc.,  contribuem para produzir conhecimento que reconhece plenamente as diversas formas de existência, desafiando assim os parâmetros antropocêntricos, etnocêntricos e logocêntricos. Também contemplamos que os diálogos entre as humanidades e as artes performativas em geral têm o potencial de aumentar a comunicabilidade de certas propostas teóricas. Buscando a coerência entre o que é proposto neste GT, convidamos os participantes a trazerem as práticas corporais, musicais, performáticas,  ou outras, para o centro de suas apresentações.

Ponencia/Apresentação 1. Título: "Cantos e danças, resistência e força do povo tükünã (kanamari)"

AUTORÍA: doutorando Sebastião Solart Correa (PPGAS/Universidade Federal do Amazonas-UFAM, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: Sou indígena do povo kanamari, doutorando em Antropologia Social e trago como pesquisador do meu povo o canto, dança e pintura nos momentos dos rituais cantados. O povo conhecido na literatura como kanamari, se auto denomina tükünã e este trabalho se realiza no Rio Japurá, na terra Maraã/Urubaxi, na aldeia Nova Galileia, no município de Maraã. O povo tükünã no decorrer de suas resistências contra a colonização, expressa sua rica cultura e história através de suas praticas culturais, destacando especialmente o canto e a dança. Essas práticas de expressões são mais do que simples música e dança; elas são fundamentais para as resistências e fortalecimento da identidade cultural, transmitindo saberes, valores e tradições passados de pai para filho. O canto Kanamari é uma expressão de som que transmite a relação cosmológica espiritual no convívio com a natureza. As melodias, acompanhadas das letras, som das vozes, os passos e o som de cada pisada na terra, trazem os espíritos e à vida histórias ancestrais, promovendo um forte senso de pertencimento e união. Já a dança Kanamari, por sua vez, é ligação entre música e ancestralidade, incorporando movimentos que unem os animais, pessoas, terra e floresta. Roupas com trajes como camisa do olho do buriti, chapéu do olho do tucumã e as saias do olho buriti, seguido das pinturas corporais, são adornos feitos de materiais naturais, os brincantes se movem em conexão com os ritmos do canto, criando uma experiência sonora que encanta e envolve todos os brincantes. Essas expressões artísticas não apenas celebram a cultura Kanamari, mas também desempenham um papel essencial no fortalecimento, pertencimento de suas práticas, caracterizando uma forte identidade. Através do canto e da dança, o povo Kanamari continua a contar sua história e a afirmar sua identidade em um mundo de resistência.

Ponencia/Apresentação 2. Título: "Danzar es hacer memoria”: Cuerpo, territorio y temporalidades en las danzas afrobahianas en la Ciudad autónoma de Buenos Aires"

AUTORÍA: rrari Guadalupe (Universidad de Buenos Aires, Argentina), Gimenez Nahir Ayelen (Universidad de Buenos Aires, Argentina)

RESUMEN / RESUMO: Ante el actual contexto sociopolítico marcado por la persistencia y reciente intensificación de herencias coloniales y narrativas hegemónicas acerca de la identidad nacional argentina -las cuales históricamente han invisibilizado la presencia e influencia de la afrodescendencia en el país-, este trabajo busca atender a las dinámicas de resistencia cultural que emergen a través de una práctica de movimiento como lo es la danza, en este caso, específicamente las denominadas “danzas afrobahianas” en la Ciudad Autónoma de Buenos Aires.

El objetivo es revelar cómo la práctica activa en los y las performers no sólo un carácter agencial, sino transformador de sus cotidianidades y con ello, sus subjetividades en relación con el entramado social. En la transmisión de estos lenguajes corporales se producen re-interpretaciones (en este caso de la religión y cultura popular afro-brasilera) que a su vez funcionan como una estrategia política, es decir, como forma de curación del cuerpo social (Espinosa Arango, 2007), en donde el pasado, encarna nuevos sentidos en el presente, evidenciando la multiplicidad de dimensiones en las que operan estas danzas subjetiva y colectivamente. Entre lo individual y lo colectivo, lo ancestral y lo contemporáneo, sostenemos que estas danzas, habilitan un espacio donde el cuerpo y la memoria se entrelazan como formas de resistencia y reconfiguración identitaria ante el escenario socio político actual.