Título: "Giro Decolonial: Arte, Antropologia da arte, História e Instituições artísticas da América Latina"
Coordinación / Coordenação
Dra. Tatiane de Oliveira Elias (UEMG, Brasil)
Lcda. Adriana Galizio (Universidad Nacional Arturo Jauretche, Argentina)
Moderación / Moderação
Dr. Fernando Scherer (UNIVASF, Brasil)
Resumen / Resumo
Este Grupo de Trabalho propõe uma abordagem transdisciplinar que articula arte, antropologia da arte, história, instituições artísticas e estudos latino-americanos, evidenciando interseções historicamente configuradas por estruturas coloniais e por epistemologias eurocêntricas. As produções artísticas latino-americanas – indígenas, afro-latino-americanas e asiático-latino-americanas – foram, ao longo de séculos, sistematicamente marginalizadas pelo cânone da História da Arte, submetidas a processos de violência colonial que resultaram no apagamento de suas culturas, tradições e formas de existência.
Diante desse legado histórico, torna-se urgente a adoção de práticas de decolonização orientadas à reconstrução crítica das narrativas históricas. Nesse contexto, distintas abordagens teóricas têm contribuído para a consolidação de perspectivas decoloniais, antieurocêntricas, de gênero e antirracistas, fundamentadas nas reflexões de autores e autoras que problematizam as hierarquias epistêmicas e as estruturas de poder que historicamente sustentaram processos de exclusão e silenciamento.
Historicamente, artistas da região Sul Global têm se comprometido na construção de uma arte decolonial, centrada nas suas raízes, fazendo surgir diferentes formas de engajamento artísticas em contextos pós-coloniais e buscando gerar mudanças. Influenciados, entre outros movimentos, pelo Muralismo Mexicano, Antropofagismo, Tropicalismo e Tucumán Arde, artistas e curadores contemporáneos apropriam-se de referências estrangeiras para ressignificá-las, produzindo obras e curando exposições que afirmam identidades latino-americanas plurais, politicamente e socialmente engajadas, que enfrentam questões de raça, classe, gênero, desigualdade e cultura, rompendo com os cânones europeus. Criam espaços de resistência simbólica, oferecendo perspectivas locais e plurais.
Este painel propõe discutir de que modo diferentes linguagens e referenciais conceituais têm sido mobilizados para tensionar a lógica colonial que históricamente estruturou museus, práticas artísticas e instituições culturais. Busca-se refletir sobre a emergência de outras formas de organização do espaço expositivo, orientadas por perspectivas mais plurais e situadas. Nesse contexto, questiona-se de que maneira os museus podem desenvolver estratégias inclusivas e representativas que ampliem a participação, o protagonismo e a visibilidade de mulheres latino-americanas, tanto na condição de público quanto na de artistas, curadoras e gestoras culturais.
Em síntese, busca-se refletir sobre quais transformações são necessárias para ressignificar a função social e cultural das instituições artísticas na contemporaneidade.
Buscamos painelistas que debatam essas questões, problematizando, por exemplo: De que forma a arte latino-americana atua como forma de resistência ao desestabilizar códigos hegemônicos de origem colonial? Em que medida a antropologia da arte pode ser entendida como uma ferramenta de resistência ao eurocentrismo nas narrativas artísticas? De que modo a produção artística de mulheres indígenas contemporáneas desafia narrativas coloniais e afirma epistemologias próprias? Em que medida a arte afro-latino-americana desafia hierarquias raciais e estéticas no campo da arte moderna e contemporânea? Como as Bienais da América Latina contribuem para a reconfiguração dos paradigmas artísticos e para a emergência de discursos de resistência identitária no sistema da arte? Como intervenções artísticas e etnografias críticas podem funcionar como práticas de resistência na decolonização do conhecimento e na afirmação de identidades marginalizadas?
Ponencia 1. Título: "Bordados y disputas políticas en el marco del 24 de marzo en Argentina"
AUTORA: Lcda. Adriana Galizio (Universidad Nacional Arturo Jauretche, Argentina)
RESUMEN / RESUMO: Desde las perspectivas del marco decolonial y del Sur global, me propongo para este trabajo, analizar la relación entre los discursos y representaciones sociales contemporáneos y las producciones textiles realizadas por mujeres que ocurrieron el día 24 de marzo de 2026 en Argentina, a raíz de la conmemoración de los 50º años del inicio de la última dictadura cívico militar en Argentina (1976-1983). Ese día, diversos colectivos artísticos -varios de ellos autogestivos o sin institucionalización formal- asistieron a la marcha realizada ese día con enormes banderas donde podían reconocerse pequeños formatos bordados con los nombres de los desaparecidos durante la dictadura. El 24 de marzo, Día Nacional de la Memoria por la Verdad y la Justicia, pone de relieve, en el contexto actual, los discursos sociales opuestos -y sus representaciones
estéticas- que vuelven a reactualizarse en la trama social y política. El eje propuesto abordará la idea de desarticulación de una memoria única y centralizada para dar lugar a otros relatos y prácticas situados. El análisis se detendrá en las formas estéticas y en la materialidad de los bordados y su relación con las técnicas y tecnologías que propone el arte textil, no sólo como representaciones productoras de la memoria sino también como experiencias que disputan significados y mantienen vivo, desde actores y voces de mujeres que no suelen hacerse presente en el campo artístico, el ideario de la memoria, la verdad y la justicia, como ofrecen el Colectivo Quilmes. Memoria, Verdad y Justicia o la colectiva Bordando luchas de ayer y de hoy.
El gesto político a gran escala -que se refuerza por el gran tamaño de las banderas, presentes y visibles en la calle- contiene a su vez el otro, el gesto micropolítico del pequeño bordado del nombre de un desaparecido/a que cada bordadora tuvo en sus manos.
Ponencia / Apresentação 2. Título: "Engajamento social na América Latina: Arte e ativismo alimentar"
AUTORÍA: Dra. Tatiane de Oliveira Elias (UEMG, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Esta comunicação aborda o engajamento social de artistas contemporâneos na América Latina por meio da arte e da cultura alimentar. A alimentação, elemento fundamental da base cultural latino-americana, se torna um eixo de reflexão sensorial e simbólica nas artes visuais. Assim, se conecta com diversas disciplinas, como a Antropologia alimentar, Sociologia, estudos religiosos, estudos culturais, bem como
com práticas sociais e políticas públicas. Na arte contemporânea, artistas latinos destacam, em suas produções, temas relacionados à culinária e à identidade regional na América Latina. Eles usam do ativismo para causas importantes, como a agricultura familiar, questões agroecológicas, cultivo de hortas, preparação de sucos e plantio de lavouras. Os artistas usam diversas mídias, incluindo fotografia, instalações e projetos de cozinha cooperativa para discutir os temas da soberania alimentar, a fome e o deserto alimentar, conectando as questões sociais urgentes com o público, com políticas públicas e com a prática artística. Estas questões são fundamentais para o Sul Global.
Artistas como Salissa Rosa, Maria Thereza Alves e Jorge Memma Barreto, em suas práticas urbanas, discutem a relação da culinária latino-americana – como tubérculo, cereais, frutas e sementes – com os problemas sociais de alimentação saudável. Tais obras dão exemplo de como essas artes contemporâneas agem em torno de mudanças sociais, fazendo crítica às desigualdades que marcam o sistema alimentar
contemporâneo, como a concentração de terras em latifúndios e o poder das industrias alimentares. Elas defendem uma melhor distribuição alimentícia mais justa e a criação de políticas públicas voltadas para a alimentação, priorizando a agrofloresta, o agromercado, práticas quilombolas e indígenas ancestrais. Ao articular as práticas artísticas com memória, identidade e principalmente a questão social, faze da alimentação um instrumento crítico sobre políticas, sociedade e história, mostra como os artistas estão mudando o cenário artístico atual e ajuda na luta por condições dignas de alimentação para a população.
Ponencia / Apresentação 3. Título: "ESCUINCLEREMIRIM - Decolonialidade, Arte Contemporânea e América Latina"
AUTORÍA: Mag. Alexis Azevedo Morais (Departamento de Disciplinas Tridimensionais e Artes Visuais da Escola Guignard, Universidade do Estado e Minas Gerais/UEMG, Minas Gerais, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Esta pesquisa tem como objetivo mapear, analisar e estabelecer relações entre um conjunto determinado de práticas artísticas e de obras plásticas e audiovisuais da arte contemporânea latino-americana — desde a década de 1960 até a atualidade — que operam como ferramentas da decolonialidade e as cinco chaves de leitura propostas nas categorias formuladas pelo grupo de pensadores latino-americanos denominado Grupo Modernidad/Colonialidad, a saber: colonialidade do poder, do saber, do ser, da natureza e do gênero. O neologismo ‘escuincleremirim’, presente no título deste projeto, refere-se à aglutinação de três termos lexicais presentes em línguas autóctones de três grupos, originários e da diáspora africana, no território latino-americano, sendo eles: ‘escuincle’ (proveniente do idioma náuatle asteca), ‘erê’ (do iorubá africano) e ‘mirim’ (do tupi pindorâmico). Os três termos dizem respeito ao campo semântico do universo infantil, e a palavra resultante dessa junção — escuincleremirim — intitulará a peça de criação audiovisual autoral que também comporá este trabalho.
Ponencia / Apresentação 4. Título: "As palafitas amazônidas na historiografia e experiência histórica de populações ribeirinhas: uma outra (re)introdução"
AUTORÍA: Mag. Victor Salgado (Laboratório de Estudos Decoloniais -LABYA-YALA, FAU – USP, Amazônia, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Quando o italiano Américo Vespúcio chegou ao “novo mundo” em 1499, capitaneado por Alonso de Ojeda, associou as palafitas da etnia indígena Añu Parajuaana, no lago Maracaibo, com as que existiam em Veneza. Esta foi a inspiração para denominar Venezziola, ou Venezuela. Estas palafitas aparecem na ilustração da Sexta Carta (Lettera) de Vespúcio, publicado em 1505, e os poucos originais sobreviventes conhecidos desta primeira edição estão arquivados e protegidos na Biblioteca Nacional Central de Florença, Biblioteca Apostólica Vaticana, British Library e Biblioteca do Congresso dos EUA. Neste desenho vemos que Ojeda se depara com as habitações palafíticas (Janoko) da etnia indígena Warao, que segundo Francisco Tiapa (2007), ocupam a região há quase sete mil anos. Isto é, os vestígios arqueológicos, os documentos históricos, assim como as oralidades e práticas ancestrais dos povos originários que permanecem na Amazônia, reafirmam uma longa duração de assentamentos em palafitas.
Seja pela historiografia, nos sítios arqueológicos ou nas artes dos museus e acervos públicos, as palafitas da Amazônia não são reconhecidas pelas instituições brasileiras do patrimônio, nos dias atuais, como continuidade e confluência de saberes desde antes da invasão europeia. Nas comunidades urbanas ribeirinhas, verificamos a persistência dos saberes tradicionais pela presença desta tecnologia ancestral, seja pela necessidade de acesso à habitação por populações socialmente vulneráveis e/ou pelo conhecimento de usos das madeiras da floresta e das formas de ocupar as margens fluviais e/ou da navegação nos rios e seus afluentes habitados por encantados, narrativas sobrenaturais e seres mitológicos transeuntes entre os sonhos e a materialidade da natureza que conhecemos com os olhos abertos, como boiúna “a cobra grande”. Então, “palafita” é uma palavra de significados que variam de acordo com seu contexto?
Ponencia / Apresentação 5. Título: "La construcción de un espacio artístico del Sur: diálogos entre la Tercera y la Cuarta Bienal de La Habana"
AUTORÍA: Dra. Anita Orzes (Bibliotheca Hertziana – Max Planck Institute for Art History, Roma, Italia)
RESUMEN / RESUMO: Esta comunicación pone en diálogo «Tradición y contemporaneidad en el arte del Tercer Mundo» y «El desafío a la colonización», ejes temáticos de la Tercera y la Cuarta Bienal de La Habana, respectivamente. Ambas ediciones articularon reflexiones fundamentales sobre las identidades y reivindicaciones del Sur Global a partir, por un lado, del análisis de la relación dialéctica entre la búsqueda de las raíces culturales y la experiencia de la contemporaneidad y, por otro, de una reflexión sobre las huellas dejadas por los distintos procesos de colonización. En este sentido, constituyeron espacios clave para el cuestionamiento de los relatos hegemónicos de la historia del arte.
La historiografía y la crítica de arte han reconocido la Bienal de La Habana como una plataforma por y para el Tercer Mundo, que contribuyó a la visibilización y el reconocimiento del arte de América Latina, Asia y África. Asimismo, diversos estudios han subrayado la importancia del contexto histórico y geopolítico que propició el surgimiento de esta bienal y han subrayado su carácter decolonial. Sin embargo, la relación entre la tercera y la cuarta edición ha recibido escasa atención por parte de la historiografía. Además, esta última ha sido considerablemente menos estudiada, pese a su relevancia.
Con el objetivo de contribuir a llenar esta laguna, esta comunicación propone un análisis crítico y comparativo de ambas ediciones. En primer lugar, examinará sus proyectos curatoriales, atendiendo a sus objetivos, planteamientos y resultados. En segundo lugar, estudiará el proceso organizativo del evento y el papel desempeñado por las investigaciones in situ para conocer de primera mano las escenas artísticas locales. Finalmente, se centrará en cómo la estructura triádica de su modelo expositivo (exposiciones, talleres y encuentros teóricos) favoreció una propuesta más horizontal y plural, convirtiendo la Bienal en un espacio de encuentro, intercambio y debate.
En definitiva, se argumenta que ambas ediciones contribuyeron a la formulación de espacios expositivos que cuestionaron las lógicas eurocéntricas del sistema artístico internacional, convirtiendo La Habana en un laboratorio de prácticas institucionales y epistemológicas de carácter decolonial. Así, este estudio permite reflexionar sobre el papel de las bienales latinoamericanas en la reconfiguración de los paradigmas artísticos contemporáneos y en la construcción de espacios de resistencia cultural e identitaria desde el Sur Global.