Título: "Fricções ontológicas no Antropoceno: povos indígenas e alianças cosmopolíticas em defesa da vida"
Horario
Grupo de Trabajo 4 virtual Bloque A:
Día: Miércoles-Quarta-feira 04/11/2026. Hora: 13:30-16:00 hrs. (Sur Brasil)
Grupo de Trabajo 4 virtual Bloque B:
Día: Jueves-Quinta-feira 05/11/2026. Hora: 9:00-13:00 hrs. (Sur Brasil)
Coordinación / Coordenação
Dr. Duvan Escobar (independente, Colômbia)
Dr. Florêncio Vaz (UFOPA, Brasil)
Moderación / Moderação
Mag. Verónica Azpiroz (UNLa, Argentina)
Resumen / Resumo
Este Grupo de Trabalho propõe debater as múltiplas formas pelas quais povos indígenas articulam seus processos identitários e lutas por território frente a ameaças extrativistas, projetos de infraestrutura e aos impactos das mudanças climáticas. Partindo do reconhecimento da pluralidade ontológica que constitui os mundos contemporâneos, o objetivo central é compreender como a defesa de lugares e fluxos vitais — como a água e a terra — e os movimentos de reorganização étnica e retomada não se restringem a disputas sociopolíticas clássicas. Ao contrário, tais mobilizações são profundamente pautadas por alianças cosmopolíticas com mais-que-humanos, revelando modos de existência que desafiam as dicotomias modernas. Nesse sentido, buscamos reunir trabalhos de diversas regiões que abordem: 1) os modos como conhecimentos ecológicos e práticas locais sustentam a defesa territorial e a vida em seus múltiplos emaranhados; 2) as fricções e conflitos ontológicos entre os projetos homogeneizantes de Estado/Capital e a pluralidade de mundos vividos e defendidos por essas comunidades; 3) metodologias de pesquisa colaborativa e de/pós/contra-colonial que recusam a lógica do distanciamento absoluto, priorizando a coautoria, a escuta ativa e o engajamento ético. Convidamos pesquisadoras e pesquisadores a compartilhar etnografias e reflexões teóricas que tensionem as fronteiras ocidentais entre cultura e natureza, visibilizando estratégias mais-que-humanas de re-existência.
Palavras-chave: pluralidade ontológica, antropoceno, cosmopolítica, reorganização étnica, pesquisa colaborativa.
Sessão 1: Territórios, identidades e experiências pedagógicas
Ponencia / Apresentação. Título: "'Entre o nhandereko e o jurua reko: conflitos ontológicos e defesa territorial Guarani no Sul do Brasil"
AUTORÍA: Dra.(c) Bárbara Elice da Silva de Jesus (Universidade Federal do Paraná, Paraná, Brasil)
RESUMEN: A expansão de grandes empreendimentos de infraestrutura no nordeste de Santa Catarina, no Sul do Brasil, tem intensificado as dinâmicas de encontro entre o nhandereko (modo guarani de viver) e o jurua reko (modo de viver do não indígena). Após tantos séculos de colonialismo, na atualidade a legislação garante a manutenção de espaços de diálogo e de autonomia indígena através de dispositivos como a Convenção 169 da OIT e os processos de licenciamento ambiental. Entretanto, a dinâmica das relações ainda opera na lógica não indígena, mesmo dentro das terras indígenas, ocasionando situações de incomensurabilidade. Nesse contexto, este trabalho movimenta-se na direção de analisar processos estatais e indígenas relacionados ao território como espaços de conflito, tradução e negociação entre mundos. Especialmente buscando reconhecer como as lideranças Guarani Mbya têm articulado seus conhecimentos, sua cosmologia e suas tecnologias políticas para defender o território e produzir caminhos de confluência diante das pressões impostas por grandes empreendimentos.
A observação participante em reuniões de consulta, oficinas de etnomapeamento, práticas de fotografia, produção documental e cerimônias nas opy está articulada à reflexão conjunta com lideranças indígenas, priorizando metodologias colaborativas comprometidas com a escuta, a devolutiva dos resultados e o respeito aos protocolos definidos pelas próprias comunidades.
Pretende-se fazer perguntas ontológicas às problemáticas relacionadas ao conflito territorial, considerando as rodovias, os mapas, documentos, protocolos de consulta e demais materialidades não apenas como instrumentos técnicos, mas como elementos que participam das fricções entre mundos. Por fim, argumenta-se que os conflitos territoriais ultrapassam disputas fundiárias ou ambientais, revelando tensões entre projetos homogeneizantes de Estado e Capital e a pluralidade de formas de vida interdependentes defendidas pelos Guarani Mbya. Nesse contexto, a etnografia torna-se um exercício de tradução cosmopolítica comprometido com a produção compartilhada de conhecimento e com o reconhecimento da existência de múltiplos mundos.
Ponencia / Apresentação. Título: "'Kom Wüñopetun: Recuperación Amplia y la disputa por la noción de Tierra/Mapu"
AUTORÍA: Antrop. Antu Quintulén González (Maestría en Políticas Públicas, Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago, Chile)
RESUMEN: El presente trabajo examina los efectos e impactos multidimensionales del proceso de recuperación territorial impulsado por la Comunidad Contreras, una comunidad mapuche del sur de Chile. Frente a las lógicas coloniales y extractivistas del Antropoceno que reducen el espacio de la tierra a un recurso de explotación económica, esta investigación describe cómo las acciones de restitución agitan fricciones antropológicas profundas al disputar el significado mismo de la Tierra/Mapu.
A través de una metodología cualitativa fundamentada en el trabajo de campo etnográfico y la realización de entrevistas semiestructuradas, se propone el concepto de Recuperación Amplia (Kom wüñopetun). Este constructo teórico-analítico permite visibilizar que la reapropiación del territorio excede por completo la matriz económica de subsistencia, impactando de forma integral en la reconstitución del tejido comunitario. El análisis articula cuatro dimensiones fundamentales transformadas por este proceso: la dimensión económica y forma de vida, la dimensión social y vida comunitaria, la dimensión cultural y la dimensión religiosa-espiritual.
Al entrelazar estos ejes, el estudio demuestra que el Kom wüñopetun opera como una práctica de defensa de la vida donde la Mapu se vivencia como un entramado de relaciones interespecies y fuerzas cosmopolíticas, y no como una propiedad inerte. En conclusión, la experiencia de la Comunidad Contreras aporta elementos clave para comprender las alianzas y resistencias indígenas contemporáneas, sugiriendo que la libre determinación y la restauración ecológica mapuche son inseparables de una disputa ontológica contra los imperativos del capital. Así, la recuperación del territorio se posiciona no solo como un acto de justicia histórica, sino como una alternativa civilizatoria indispensable en el escenario de crisis climática global.
Ponencia / Apresentação. Título: "'La colaboración como forma intercultural de estar en el mundo: lecciones sobre antropología colaborativa en el Wallmapu"
AUTORÍA: Antrop. Piergiorgio Di Giminiani (Pontificia Universidad Católica de Chile, Chile), Antrop. Antu Quintulen (Pontificia Universidad Católica de Chile, Chile)
RESUMEN: En esta presentación, analizamos el estado actual de la antropología colaborativa mediante una reflexión autocritica sobre la implementación de un proyecto colaborativo de historia oral en el Wallmapu, la tierra ancestral de los mapuches (sur de Chile). Esta experiencia se inserta en un cambio más amplio en la antropología colaborativa, desde un enfoque a cuestiones de metodología y ética de la investigación a uno centrado en la caracterización de la colaboración como una praxis fundamental en la construcción del mundo indígena, en los límites y posibilidades de las traducciones epistémicas, y en el surgimiento de nuevas articulaciones de la interculturalidad como experiencia vivida y como proyecto político en sintonía tanto con la descolonización como con las formas problemáticas de gobernanza multicultural. La centralidad de la interculturalidad como proceso político ambivalente se refleja en la presencia de preguntas éticas sin clara respuestas respeto a la antropología colaborativa.
Ponencia / Apresentação. Título: "Escolar Indígena na região Baixo Tapajós frente à lógica do Capital"
AUTORÍA: Mag. Luana Arapiun (UFOPA, Brasil)
RESUMEN: Historicamente imposta como instrumento de assimilação, a escola foi ressignificada pelos povos indígenas, tornando-se indissociável de suas organizações políticas e sociais. No Baixo Tapajós (PA), a Educação Escolar Indígena (EEI) atua como linha de frente dos quatorze povos da região no enfrentamento à lógica capitalista e à exploração territorial. Desse modo, este trabalho objetiva analisar os modos como a EEI se integra aos processos de resistência indígena, a partir de duas mobilizações recentes. O primeiro caso aborda a ocupação da Secretaria de Educação do Estado do Pará (Seduc), em Belém (janeiro de 2025), que reivindicou a revogação da Lei 10.820/2024 — norma que impunha a substituição de aulas presenciais por teleaulas, impactando drasticamente a carreira docente. O segundo caso centra-se na ocupação da multinacional Cargill, em Santarém, que culminou na revogação do Decreto 12.600/2025, o qual previa a concessão privada e a dragagem nos rios Tapajós, Madeira e Tocantins. Ambas as ocupações duraram cerca de um mês e contaram com a participação efetiva de professores-lideranças, gestores e estudantes. O espaço dos protestos — a primeira ocupação focada na EEI e a segunda resultando na paralisação das escolas da região — converteu-se em arenas de debate e assembleias onde a educação figurou como pauta transversal. Conclui-se que a EEI não apenas reflete a luta histórica desses povos, mas atua como catalisadora da resistência, potencializando a tomada de consciência política, a desnaturalização das imposições e a defesa do território e dos modos de vida.
Palavras-chave: Educação Escolar Indígena, Baixo Tapajós, Movimento político.
Ponencia / Apresentação. Título: "Retomar a floresta: cosmopolíticas indígenas, fricções ontológicas e recomposição territorial em Ywy Dju (Território Sagrado), Piraquara - PR"
AUTORÍA: Dr.(c) Emerson Hideki Handa (UFPR, Curitiba, Paraná, Brasil)
RESUMEN: Este trabalho apresenta reflexões etnográficas desenvolvidas junto à retomada indígena Ywy Dju (Território Sagrado), localizada na Floresta Estadual Metropolitana de Piraquara, no Paraná. Constituída por indígenas de diferentes etnias, com predominância Guarani Nhandewa, a retomada ocorre em uma unidade de conservação marcada pelo histórico de monoculturas florestais, disputas em torno da gestão ambiental e tensões entre políticas estatais de conservação e reivindicações indígenas de permanência territorial.
A partir de pesquisa etnográfica baseada em observação participante, entrevistas, caminhadas pelo território e registros audiovisuais produzidos em diálogo com os interlocutores indígenas, analiso a retomada para além de uma disputa fundiária ou identitária. Argumento que Ywy Dju constitui um processo de recomposição territorial orientado por alianças cosmopolíticas entre humanos e mais-que-humanos, nas quais a floresta, as águas, as sementes, os animais, os cantos, os sonhos e os conhecimentos ancestrais participam ativamente da defesa da vida e da manutenção de fluxos vitais que sustentam a continuidade coletiva.
Em diálogo com os debates sobre pluralidade ontológica e Antropoceno, sustento que as práticas de recuperação da mata, cultivo agroecológico, proteção das águas, fortalecimento dos vínculos comunitários e transmissão intergeracional de saberes evidenciam fricções ontológicas entre projetos homogeneizantes do Estado e do capital e modos indígenas de habitar e recompor o território. Nesse contexto, a retomada revela formas de resistência que articulam memória, identidade e futuro ancestral, tensionando dicotomias modernas entre natureza e cultura e oferecendo contribuições para compreender estratégias indígenas contemporâneas de defesa da vida diante da crise ecológica.
Sessão 2: Cosmopolíticas das Águas, das Matas e as Éticas do Cuidado
Ponencia / Apresentação. Título: "'Diálogos sobre encantados, floresta e futuro"
AUTORÍA: Dr. Florêncio Almeida Vaz Filho (Povo Maytapu / UFOPA, Brasil), Werley Thadeu Tapajós Bentes (Povo Tupayu / UFOPA, Brasil)
RESUMEN: A colonização evangelizadora, em muitos contextos indígenas, resultou na marginalização das práticas espirituais, como a pajelança. Desde o século XVII, missionários frequentemente associavam essas práticas a manifestações demoníacas, levando à repressão e ao abandono de rituais tradicionais. Indígenas que mantinham suas crenças foram e continuam sendo estigmatizados e isolados dentro de seus próprios territórios por religiões de matriz ocidental. Desde o início do século XX, a presença de igrejas evangélicas em comunidades indígenas, também vem sendo uma constante que foi ganhando força nos últimos tempos e realiza um papel de apagamento das práticas espirituais tradicionais. Trago para uma reflexão sobre essas vivências e práticas espirituais indígenas, a história de vida de dona Noca, uma mulher indígena, ribeirinha que vai morar com sua família para o planalto Santareno, pois como também viviam da agricultura, a terra era boa para cultivo. Dona Noca após trabalhar quase 50 anos em sua Tenda da Cabocla Herondina, se converte para a igreja evangélica, tendo sua tenda devastada e destruída por conta da nova religião e tendo que mudar sua forma de cultuar e vivenciar sua própria espiritualidade. Em uma conversa, dona Noca me diz da insistência da filha em convertê-la para a Assembleia de Deus. “Ela está metendo na minha cabeça isso, e está assim indeciso, eu não sei, Deus é quem sabe né? Mas por enquanto se chegar uma pessoa para mim consertar, para mim puxar a barriga, pra mim fazer um banho eu faço, faço mesmo (Dona Noca, 2018).” A reflexão vai se orientar na concepção de uma ética do cuidado, nos termos de Bellacasa (2023), através de uma política de compromisso e de obrigação ética com uma ontologia de mundos mais que humanos e, nos termos de Sueli Carneiro (2020, 115) que redireciona a obrigação patriarcal em sentimento de compaixão, que permite cuidar do mundo, reeducá-lo sem dor e sem opressão.
Ponencia / Apresentação. Título: "'A mulher que cuida, também resiste e tem convicção. A resistência de uma mulher sacaca do baixo Tapajós"
AUTORÍA: Mestrando Paulo Victor Miranda Ferreira (PPGAA, UFOPA, Santarém, Brasil), Dra. Lucybeth Camargo de Arruda (PPGAA, UFOPA, Santarém, Brasil)
RESUMEN: A colonização evangelizadora, em muitos contextos indígenas, resultou na marginalização das práticas espirituais, como a pajelança. Desde o século XVII, missionários frequentemente associavam essas práticas a manifestações demoníacas, levando à repressão e ao abandono de rituais tradicionais. Indígenas que mantinham suas crenças foram e continuam sendo estigmatizados e isolados dentro de seus próprios territórios por religiões de matriz ocidental. Desde o início do século XX, a presença de igrejas evangélicas em comunidades indígenas, também vem sendo uma constante que foi ganhando força nos últimos tempos e realiza um papel de apagamento das práticas espirituais tradicionais. Trago para uma reflexão sobre essas vivências e práticas espirituais indígenas, a história de vida de dona Noca, uma mulher indígena, ribeirinha que vai morar com sua família para o planalto Santareno, pois como também viviam da agricultura, a terra era boa para cultivo. Dona Noca após trabalhar quase 50 anos em sua Tenda da Cabocla Herondina, se converte para a igreja evangélica, tendo sua tenda devastada e destruída por conta da nova religião e tendo que mudar sua forma de cultuar e vivenciar sua própria espiritualidade. Em uma conversa, dona Noca me diz da insistência da filha em convertê-la para a Assembleia de Deus. “Ela está metendo na minha cabeça isso, e está assim indeciso, eu não sei, Deus é quem sabe né? Mas por enquanto se chegar uma pessoa para mim consertar, para mim puxar a barriga, pra mim fazer um banho eu faço, faço mesmo (Dona Noca, 2018).” A reflexão vai se orientar na concepção de uma ética do cuidado, nos termos de Bellacasa (2023), através de uma política de compromisso e de obrigação ética com uma ontologia de mundos mais que humanos e, nos termos de Sueli Carneiro (2020, 115) que redireciona a obrigação patriarcal em sentimento de compaixão, que permite cuidar do mundo, reeducá-lo sem dor e sem opressão.
Ponencia / Apresentação. Título: "'Ndaa-tyuaa Ñomndaa: cosmopolítica y luchas por la vida en la Costa Chica de Guerrero, México"
AUTORÍA: Dr. Ever Sánchez Osorio (Secretaria de Ciencia, Humanidades, Tecnología e Innovación – IXM-Secihti / Instituto de Investigaciones Sociológicas de la Universidad Autónoma Benito Juárez de Oaxaca, Oaxaca, México), Dr. Manuel Garza Zepeda (Instituto de Investigaciones Sociológicas, Universidad Autónoma Benito Juárez de Oaxaca, Oaxaca, México)
RESUMEN: La reflexión se ubica en la Región Costa Chica del Estado de Guerrero, México, con el pueblo amuzgo (que se nombra Nn’anncue Ñomndaa – hombres que hablan la palabra del agua) que habita los municipios de Ometepec, Tlacoachistlahuaca y Xochistlahuaca. El objetivo de la ponencia es mostrar en diversos contenidos de la cosmovisión y las prácticas Ñomndaa la presencia de elementos antagónicos a la organización de la vida en torno a la reproducción del capital. La sabiduría y sentir-pensar el mundo Ñomndaa reconoce un orden cósmico que incluye agua (ríos, arroyos, cascadas), viento, lluvia, piedras, flora, fauna, seres fantásticos y guardianes que constituyen Ndaa-Tyuaa (agua-tierra). Una expresión que define al territorio, la existencia humana y no humana en interacción (a veces en tensión) manifiesta en la vida cotidiana. La sabiduría Ñomndaa se despliega en diferentes ámbitos y procesos de la vida: la organización social, la política, la religión, la salud-enfermedad, la agricultura, la lengua, el telar y la vida-muerte, por mencionar algunos. En ellos existen prácticas y rituales específicos que trascienden lo humano para vincularse con seres y espíritus que inciden en el bien-estar comunitario. En Ndaa-Tyuaa Ñomndaa (territorio amuzgo), a través del calendario Ñomndaa (Ncuee ‘Om o semana amuzga), se definen días específicos en los que la población puede realizar determinadas actividades que favorecen al cuidado y protección de Ndaa-Tyuaa, por ejemplo, sembrar, cosechar, pescar, cazar, hacer el bien o hacer el mal. El calendario Ñomndaa se relaciona además con dos seres guardianes que protegen al Ndaa-Tyuaa en el mundo de la tierra y el agua: el señor del monte sombrerudo Stoo y el señor del agua Tsan Ts’oom Tsjo. Estos seres guardianes ayudan o castigan, dependiendo de la conducta de las personas: si se portan bien, si hacen daño o abusan de los recursos comunes de la población.
Ponencia / Apresentação. Título: "'Janulari (tigre) ya cutipo al niño otra vez': sobre seres más-que-humanos y cuidados infantiles"
AUTORÍA: Mag. Juana Cabrera (UFSCar, Perú), Mag. Juan Quisto (UFSCar, Perú)
RESUMEN: En la vida cotidiana urarina, incluso en actividades consideradas prosaicas, se despliegan prácticas fundamentales para el cuidado y la reproducción de la vida. En el contexto de una fiesta con masato, por ejemplo, se puede ver cómo un hombre se aparta momentáneamente de una conversación animada para atender la solicitud de una madre afligida: toma un pequeño recipiente con leche materna y comienza a icararla. Tras susurrar palabras sobre la sustancia, cubriéndola con las manos para evitar que estas se dispersen, devuelve el contenido a la madre, quien lo ofrece al bebé. Este gesto puede repetirse varias veces, hasta contrarrestar posibles intromisiones de seres más-que-humanos (cutipos) en el desarrollo del cuerpo infantil. Proponemos analizar cómo, en el contexto del pueblo Urarina, los cuidados posteriores al parto constituyen un pilar central en la construcción del cuerpo, en un escenario marcado por la pluralidad médica y por profundas desatenciones estatales en materia de salud. Sostenemos que este proceso implica una relación constitutiva con los seres más-que-humanos que habitan el mundo, y que no puede comprenderse únicamente desde categorías biomédicas. Asimismo, argumentamos que el acceso a los limitados servicios de salud estatales no es percibido como contradictorio con estas prácticas, sino que forma parte de itinerarios terapéuticos complejos, en los que coexisten y se articulan distintos regímenes de conocimiento y cuidado. Este análisis se basa en más de una década de trabajo en la cuenca del río Chambira, incluyendo cuatro años y medio de permanencia en el medio Chambira en el marco de un puesto de salud gestionado por una ONG alemana y el Estado peruano, así como en numerosas conversaciones en las que articulamos experiencias, conocimientos y reflexiones situadas desde nuestras distintas trayectorias.
Palabras clave: Pueblo Urarina, Fabricación del Cuerpo, Prácticas de cuidado, Relaciones más-que-humanas.
Ponencia / Apresentação. Título: "'Derechos de un río lleno de gentes: el caso del Marañón desde la cosmovisión kukama"
AUTORÍA: Dr.(c) Arthur Imbassahy (Programa de Pós Graduação em Antropologia Social – Museu Nacional, UFRJ, Brasil)
RESUMEN: En 2024, el río Marañón, uno de los principales tributarios del río Amazonas, fue reconocido como titular de derechos en una decisión histórica en la Amazonía peruana. Esto ocurrió tras años de derrames de petróleo en la región y de luchas de organizaciones indígenas kukama en defensa del río Marañón.
Esta decisión se inscribe en el marco de los Derechos de la Naturaleza, que pretende invertir la lógica occidental del antropocentrismo hacia el ecocentrismo, a través de una normatividad escrita, en forma de leyes y sentencias judiciales, dirigidas principalmente al Estado y a grandes corporaciones en contextos de explotación de recursos naturales. Su efectividad, sin embargo, varía. En el caso del río Marañón, aún debe ser implementada. Este marco asume que dicho reconocimiento jurídico corresponde a lo que los pueblos indígenas piensan sobre la naturaleza. Presupone así una continuidad entre los Derechos de la Naturaleza y las cosmovisiones indígenas.
En este trabajo, a través de la investigación de las múltiples formas de relación con el río, las cochas y los seres no humanos vivientes del agua, buscamos investigar las posibilidades de colaboración y fricciones entre esas distintas ontologías. Por un lado, la conceptualización del río como titular de derechos o persona jurídica. Por otro, los relatos kukama sobre las diferentes formas de ser gente, categoría en constante disputa y transformación.
Proponemos así examinar etnográficamente qué significan los derechos no humanos para los kukama, tomando en consideración la inestabilidad de la categoría de gente y las negociaciones cotidianas con otros tipos de seres, cuyas normas de convivencia se transmiten tradicionalmente a través de relatos orales. Nos preguntamos si las normas de convivencia presentes en estos relatos pueden traducirse a ley sin perder su efectividad, cuál es su relación con los Derechos de la Naturaleza, y para quién están escritos estos derechos.