GT virtual 5 Feituras da vida em trânsitos: gênero, sexualidade e trabalho

Título: "Feituras da vida em trânsitos: gênero, sexualidade e trabalho"

Coordinación / Coordenação

Dra. Tita – Letizia Patriarca (Universidade de São Paulo, Brasil)

Dra. Antonella Allasia Delmonte (Universidad de Buenos Aires, Argentina)

Moderación / Moderação

Dra. Thais Henriques Tiriba (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Brasil)

Resumen / Resumo

Esse grupo de trabalho se propõe ser um espaço para reunir etnografias em andamento ou já concluídas que se interessem pelas formas plurais de vida de pessoas que migram, transitam e circulam em contextos de informalidade e/ou ilegalidade, marcados por incertezas. Buscamos alterar o foco dual e colonial do debate sobre migração, entendida como forçada ou voluntária, para ampliar tais categorias, convidando trabalhos que considerem motivações diversas, ambíguas, interseccionais e complexas para migrar, que instiguem reflexões sobre a pluralidade de experiências de vida e trabalho, borrando fronteiras entre formal e informal, legal e ilegal. Convidamos etnografias interessadas nos arranjos interseccionais de marcadores sociais da diferença – tais como gênero, sexualidade, raça, classe, entre outros – para analisá-los contextual e relacionalmente. Trabalhar com esses arranjos interseccionais tem o objetivo de contemplar desigualdades e potencialidades nos trânsitos de pessoas que migram, circulam, transitam e estão em contínuo movimento, repropondo modos de vida e de produção de saberes. Por meio de análises etnográficas buscamos reunir trabalhos que contemplem as seguintes temáticas: questionamentos sobre a desigual produção, circulação e legitimação de saberes; responsabilidade e ética de pesquisa – contemplando estratégias e efeitos da escrita e da apresentação da pesquisa em tópicos relacionados à mobilidade; realização de trabalho precarizado em trânsito e em contextos fronteiriços; circulação de pessoas cujas vivências de gênero e sexualidade são marcadas e motivam tais trânsitos transnacionais; contextos de trabalho que são fortemente marcados por uma divisão de gênero e aqueles que se inserem em economias sexuais; coletividades, formação de redes de interdependência e ativismos de trabalhadoras/es/ies precarizados em outros contextos nacionais; produção do comum em contextos de mobilidade; trânsitos e movimentos migratórios do Sul, desde o Sul e entre o Sul.

Ponencia / Apresentação 1. Título: "'Sou como o vento': (im)possibilidades de circulação transnacional para profissionais do sexo brasileiras"

AUTORÍA: Dra. Tita – Letizia Patriarca (Universidade de São Paulo, BRASIL)

RESUMEN / RESUMO: Nesta apresentação proponho repensar as possibilidades de trânsitos transnacionais para brasileiras que realizam trabalho sexual. A partir de uma trajetória de pesquisa etnográfica de mais de uma década com profissionais do sexo brasileiras – cis, trans e travestis – que circulam pelos mercados sexuais no Brasil e na Itália, analiso as possibilidades e efeitos desses movimentos, que nem sempre são considerados migratórios. Trago para análise desigualdades transnacionais em termos de produção de conhecimento sobre o tráfico de pessoas para fins de exploração sexual, em diálogo com uma bibliografia crítica sobre o enquadramento desse crime, sobretudo em países do Norte Global. Partindo do entendimento de que os termos do debate sobre tráfico de pessoas são necessariamente diferentes no Brasil e na Itália, ressalto as possibilidades de comunicação transnacional para pensar os trânsitos de corpos e epistemologias “putas” brasileiras que se envolvem com o trabalho sexual na Itália. Apesar de uma já consolidada bibliografia socioantropológica que demonstrou como enquadrar certas mobilidades como tráfico de pessoas para fins de exploração sexual produz efeitos contrários aos seus objetivos, há um alto nível de investimento em programas antitráfico na Itália. Dessa forma, destaco e questiono por que a migração ainda é considerada a principal lente de análise para abordar, orientar e gerir políticas relacionadas ao trabalho sexual na Itália. Em sentido contrário, argumento que o problema de tráfico de pessoas para fins de exploração sexual pode ser muitas vezes consequência de ruídos transnacionais sobre a realização e legitimação do trabalho sexual, mais do que um problema migratório. Por meio de trabalho de campo realizado com profissionais do sexo brasileiras em trânsito, questiono então quais são as possibilidades de circulação transnacional em contextos de trabalhos precarizados e que transitam entre enquadramentos legais diversos, ainda que não completamente criminalizados.

Ponencia / Apresentação 2. Título: "Los modos de vida en la industria de la confección de indumentaria más allá de la informalidad"

AUTORÍA: Dra. Antonella Allasia Delmonte (Universidad de Buenos Aires/CONICET, Argentina)

RESUMEN / RESUMO: Mi investigación estudia los modos de vida ligados a la industria de la confección de ropa en Buenos Aires y Sao Paulo en contextos de movilidad Sur-Sur. En ella, se destacan las mujeres y varones migrantes de Bolivia que organizan su trabajo, principalmente, a partir de talleres que cumplen, a la vez, la función de viviendas. En esta presentación quiero discutir algunas premisas sobre los talleres vinculadas con su desconexión, atomización o aislamiento y esto, a su vez, implica problematizar insistentes dicotomías que intentan explicar y ordenar el mundo social, como la idea dual de formal-informal para entender el trabajo. Para esto, propongo analizar, desde una mirada interseccional, las relaciones de interdependencia que surgen en el marco de los talleres de confección de prendas de vestir de migrantes bolivianos y bolivianas que viven en São Paulo y Buenos Aires en la actualidad. Destacar la relaciones y redes – aun en el marco de desigualdad – que implican las formas de vida costureras resulta imprescindible en tanto los talleres textiles continúan predominantemente leídos y entendidos en términos de esclavitud, superexplotación, trabajo no libre, trabajo forzoso o informalidad, resaltando así las formas de precariedad más extremas, las carencias (ya sea de registro, de salario, de  control, de movimiento) o ligándolos a la clandestinidad, el aislamiento y el encierro. Un aspecto sustantivo del enfoque etnográfico de modos de vida adoptado reside en ofrecer un desplazamiento de un abordaje que privilegia la relación salarial a las formas de (sostener) la vida e implica en el análisis tanto a las relaciones que tienen lugar en el mercado de trabajo como a una multiplicidad de prácticas y relaciones que no están medidas por el mercado pero que también resultan sustantivas para la producción de la vida y, en este caso, de los talleres-casa. Los datos empíricos surgen del trabajo de campo desarrollado entre 2023 y 2025 en ambas ciudades.