GT virtual 7 Memória, imagem e o Antropoceno

Título: "Memória, imagem e o Antropoceno: tecnologias, ausências e mundos em ruínas"

Horario

Grupo de Trabajo 7 virtual:

Día: Viernes-Sexta-feira 06/11/2026. Hora: 9:00-13:00 hrs. (Sur Brasil)

Coordinación / Coordenação

Mestrando Daniel Ercílio Néres (Universidade Feevale – Novo Hamburgo/Brasil)

Dra. Wanda Balbé (Universidad de Buenos Aires, Argentina)

Moderación / Moderação

Doutorando Daniel Gevehr Keller (Universidad Jorge Tadeo Lozzano|Universidade Feevale , Brasil)

Resumen / Resumo

O Grupo de Trabalho “Memória, imagem e o Antropoceno: tecnologias, ausências e mundos em ruínas” propõe uma reflexão sobre as articulações entre memória, tecnologias, imagens e fenômenos naturais em contextos de transformações socioambientais. Em um cenário atravessado por crises climáticas, urgências de deslocamentos e reconfigurações do mundo vivido, interessa-nos compreender como diferentes formas de mediação, e em especial as visuais, participam da construção, da preservação e também da transformação das memórias. Ao considerar as tecnologias não apenas como ferramentas, mas como dispositivos que organizam modos de ver, registrar e compartilhar experiências, o GT busca investigar como imagens, mídias e práticas sensíveis operam como formas de saber e relação com o mundo. Fotografias, filmes, arquivos, práticas performativas e registros audiovisuais são entendidos para além do  suporte de memória, mas, também, como modos de produção de presença, que são atravessados por enquadramentos culturais, afetivos e políticos. Acontecimentos, como os recorrentes desastres naturais, afetam diretamente este campo de relações, uma vez que da mesma forma que colocam em risco a existência humana, também ameaçam os dispositivos de preservação, como as fotografias, arquivos e registros. Na falta destes, o que resta são as ausências, tensionando modos de lembrar e narrar experiências. No entanto,  essas rupturas mobilizam práticas de reconstrução e mediação, nas quais tecnologias, design e ações coletivas passam a atuar na reconfiguração de acervos, na produção de novos registros e na elaboração de respostas sensíveis frente à perda. Nesse processo, a memória não se limita à conservação do que permanece, mas se constitui também nas tentativas de recomposição, reinvenção e cuidado com aquilo que foi interrompido. Assim, o GT propõe pensar o Antropoceno como um contexto no qual natureza, técnologia e vida se entrelaçam de maneira inseparável. Neste pensamento, as memórias  vão além do caráter  humano e a natureza passa a ser reconhecida como agente ativo na produção e transformação de mundos, especialmente em situações de ruína, continuidade e reinvenção. A partir de uma abordagem interdisciplinar, o Grupo de Trabalho convida pesquisadoras e pesquisadores a compartilhar trabalhos que explorem as múltiplas relações entre memória, imagem, tecnologia e ausência, considerando tanto processos de preservação quanto experiências de perda, deslocamento e reconstrução da memória em contextos contemporâneos.

Ponencia / Apresentação. Título: "Alleys of Makoko (Lagos, Nigeria): a photoethnography of the Waterfront Slum on the eve of its demolition"

AUTORÍA: Mestrando Chinedu Wilson Usuwah (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro – UTAD, Portugal), Thais Gaia Schüler (Center for Research in Applied Communication, Culture, and New Technologies – CICANT, ULusofona, Portugal), Orquídea Moreira Ribeiro (Center for Research in Applied Communication, Culture, and New Technologies – CICANT, ULusofona, Portugal)

RESUMEN / RESUMO: This photoethnographic study was conducted as part of the course “Urban Dynamics, Creativity, and Cultural Representations” in the Master’s program in Cultural Studies at the University of Trás-os-Montes and Alto Douro (UTAD, Portugal). It aims to reflect on the dynamics shaped by the spatialization of social exclusion in the context of the Global South, taking the Makoko slum in Lagos (Nigeria) as its ethnographic subject. The results indicate social adaptability to the environment, the structuring of informal services, and the systematic invisibility of submerged social realities.

Keywords: social exclusion; urban dynamics; Makoko slum.

Ponencia / Apresentação. Título: "Memórias de um Mundo submerso e Tecnologias para Adiar o Fim: o caso da praia de Atafona - RJ, Brasil"

AUTORÍA: Dr. Carlos Abraão Moura Valpassos (Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: Atafona é uma praia do litoral do Rio de Janeiro, no Brasil, onde, ao longo dos últimos 50 anos, observa-se um intenso avanço das águas do mar sobre a área construída. Cerca de 500 casas já foram engolidas pelo mar, em um processo lento e marcado por idas e vindas, onde as casas tornam-se ruínas na beira da praia por meses, anos ou mesmo décadas. Nesta apresentação, pretendo apresentar um breve histórico de Atafona, evocar narrativas sobre casas já engolidas pelo mar e colocar as demandas contemporâneas de intervenção tecnológica, através de obras de engenharia, com o objetivo de conter o avanço das águas.

Ponencia / Apresentação. Título: "Una teoría transdisciplinar: un árbol de tamarindo víctima del conflicto armado colombiano y sujeto de reparación"

AUTORÍA: Dr. Manuel Antonio Zúñiga Muñoz (Fundación Universitaria Los Libertadores, Colombia)

RESUMEN / RESUMO: El documento aborda la posibilidad de reconocer a un árbol como víctima del conflicto armado colombiano y, en consecuencia, como sujeto de reparación simbólica desde una perspectiva transdisciplinar. Se propone desde una ética centrada en la vida, inspirada en Robert Eliot, que amplía la consideración moral hacia los seres no humanos. A partir de aportes de la neurobiología vegetal, se argumenta que las plantas poseen formas de inteligencia y sensibilidad, lo que permite interpretarlas como sujetos con experiencias propias. Asimismo, se recurre a la biosemiótica para explicar cómo las plantas producen y leen signos, evidenciando comportamientos que sugieren un mundo subjetivo. Estos fundamentos teóricos se aplican al estudio de un árbol de tamarindo en Bolívar, Colombia, cuyo marchitamiento post masacre, según victimas sobrevivientes, se analiza como posible expresión de daño. Para plantear una reparación simbólica, se introduce el concepto del “tercer incluido” de Nicolescu, el cual permite conciliar la relación humano–no humano mediante diálogos de saberes y prácticas artísticas. El arte se presenta como mediador sensible entre ciencia y naturaleza, facilitando procesos de comprensión y reparación. Finalmente, se propone una metodología de investigación-creación que integra enfoques hermenéuticos, científicos y artísticos, orientada a generar prácticas simbólicas que reconozcan a los no humanos como sujetos de experiencia y cuidado.

Palabras clave: Biosemiosis, Reparación Simbólica, Tercer incluido, Pensamiento Complejo.

Ponencia / Apresentação. Título: "Poéticas ruderais nas ruínas da indústria calçadista"

AUTORÍA: Doutorando Daniel Gevehr Keller (Universidad Jorge Tadeo Lozzano|Universidade Feevale , Brasil)

RESUMEN / RESUMO: O trabalho investiga como a Euphorbia thymifolia, conhecida como quebra-pedra, atua como agente de recomposição ecológica, poética e epistemológica nas ruínas do antigo polo calçadista de Novo Hamburgo (RS), com foco no bairro histórico de Hamburgo Velho. Partindo da crítica à monocultura do design, a pesquisa compreende a ruína como campo de ressurgência, onde vidas humanas e não humanas reorganizam a habitabilidade da paisagem. Nesse contexto, a fissura torna-se chave analítica para observar a ruderalidade, entendida tanto em seu sentido botânico (capacidade de certas plantas habitarem ambientes perturbados) quanto como noção ampliada de emergência em cenários de colapso. Metodologicamente, o estudo adota uma abordagem qualitativa e interpretativa, ancorada na etnografia multiespécie, em caminhadas, registros fotográficos e observação situada, tomando a planta como coautora metodológica. Em diálogo com Anna Tsing, Tim Ingold, Stefano Mancuso e Alfredo Gutiérrez Borrero, o texto propõe pensar a quebra-pedra como mediadora de práticas equialtervalentes ao design, deslocando-o de sua vocação moderna, centralizadora e controladora para uma prática relacional, responsiva e situada. Ao emergir entre frestas, muros e escombros, a planta denuncia o esgotamento da racionalidade industrial e, ao mesmo tempo, indica outras possibilidades de coexistência. Conclui-se que a ruderalidade da E. thymifolia oferece uma crítica ontológica ao design moderno e sugere uma reorientação baseada em correspondência multiespécie e atenção ao que brota nas ruínas.

Ponencia / Apresentação. Título: "Montagens de memórias: a reescrita narrativa em páginas de álbuns fotográficos antigidos por inundações"

AUTORÍA: Mestranda Luana Bohrer Krob (PPGAS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil), Dra. Fabiene Gama (PPGAS, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: Quando observamos uma fotografia, seja num álbum de família, ou exposta em um museu, o processo de rememoração é acionado pelo olhar, trazendo encontros entre a memória e a imaginação. Assim como o efeito da montagem, que engatilha diferentes planos um após o outro, novas imagens surgem em nossa mente, formando uma narrativa visual que produz significado para as fotografias (Barthes, 1980; Deleuze, 1983). A maneira como projetamos na imagem fragmentos esquecidos e enterrados no inconsciente, são revelados em uma mistura de interpretações. Sobre o efeito da memória, a realidade é construída em uma dinâmica não-linear e anacrônica, conforme as imagens do nosso inconsciente são evocadas (Didi-Huberman, 2015). Mas a interpretação de uma fotografia não depende apenas da imagem em si, como também dos aspectos materiais do seu entorno: seus suportes, suas configurações e a forma como são apresentadas às pessoas que as observam. No projeto Resgate de Memórias, do Núcleo de Antropologia Visual da UFRGS, que recebeu fotografias de família atingidas pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, os aspectos materiais desses objetos estão em constante transformação. Ao mesmo tempo que algumas das fotografias permanecem com manchas e apagamentos provocados pela enchente, as técnicas de recuperação executadas pela equipe exigem o desmembramento dos álbuns. Na busca por preencher os espaços faltantes e explorar com essas imagens, foram realizadas práticas artísticas que reconfiguraram as suas páginas. No exercício, a montagem dos fragmentos, tanto imaginários quanto restantes nas fotografias, toma forma material. É nessa relação entre os objetos, sua materialidade e a interpretação que surgem certos questionamentos. O presente trabalho busca discutir como o encontro entre a memória e a imaginação inerente às fotografias, é provocado de outras maneiras a partir da remontagem das páginas dos álbuns, questionando as alterações no ordenamento das imagens como potência para a reescrita de narrativas que são apagadas em mundos em ruínas.

Ponencia / Apresentação. Título: "Álbuns de família: memória e ausência em contextos de perda"

AUTORÍA: Mestrando Daniel Ercílio Néres (Universidade Feevale – Novo Hamburgo/Brasil)

RESUMEN / RESUMO: O trabalho investiga como a memória se reorganiza diante da perda de fotografias em contextos de desastre socioambiental, tomando como referência as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 e a consequente destruição de álbuns de família e arquivos afetivos. Ao compreender a fotografia como suporte sensível de experiências e narrativas, a pesquisa propõe deslocar a ausência do campo da falta para o de produção, entendendo-a como um espaço ativo no qual a memória continua a operar. Nesse cenário, a perda das fotografias não representa apenas o desaparecimento de registros, mas uma ruptura nos modos de lembrar, narrar e reconhecer o vivido. A ausência tensiona as formas tradicionais de ancoragem da memória e coloca em evidência outras possibilidades de elaboração, nas quais aquilo que não pode mais ser visto passa a ser sustentado pela oralidade e por práticas cotidianas de rememoração. A pesquisa se insere no campo da antropologia visual e adota uma abordagem etnográfica, baseada na escuta de narrativas e na observação situada, com atenção às dimensões sensoriais e corporais da experiência. Parte-se do entendimento de que a memória não se limita a seus suportes materiais, mas se constitui em relações, práticas e disputas que atravessam o cotidiano. Os resultados indicam que, diante da destruição dos arquivos, a memória se desloca para outros regimes de presença, como a oralidade, os gestos, os afetos e o corpo. Observa-se que a ausência não produz um vazio, mas reorganiza as formas de lembrar, evidenciando a capacidade de reinvenção da memória. Conclui-se que a destruição das imagens, embora produza ruptura, também ativa processos de reconstrução simbólica, nos quais novas formas de continuidade emergem em meio às ruínas.