Título: "(Re)fazendo religiosidades dentro e fora da diáspora: escritas de si e enfrentamentos na contemporaneidade"
Coordinación / Coordenação
Dr. Claudenilson da Silva Dias (Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, Brasil)
Dra. Florita Cuhanga António Telo (FTC Gênero e Diversidade Consultoria, Angola)
Moderación / Moderação
Dr. Lucas Gomes de Medeiros (Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE, Brasil)
Resumen / Resumo
Esse grupo de trabalho visa ampliar discussões sobre as múltiplas vivências religiosas e suas implicações na vida cotidiana. A partir de uma perspectiva feminista, racializada e queer buscaremos (re)pensar a religiosidade como um lócus de reprodução de opressões, numa sociedade ancorada em recrudescimentos e fundamentalismos religiosos. Desse modo, o GT acolherá trabalhos que versem sobre as religiões de matriz africana e outras expressões religiosas que considerem um projeto de emancipação social através das religiões. Acolheremos ainda abordagens desde dentro dos espaços religiosos com o intuito de respeitar as escritas de si dos povos tradicionais de terreiro e de outras expressões religiosas. Interessa-nos trabalhos que dialoguem com as diversas matrizes religiosas pensando a relação desse conceito com as perspectivas ligadas a raça, sexualidade, geração, territorialidades, dentre outros marcadores das diferenças. Entendemos a importância que a ideia de religiosidade adquiriu no percurso da história e (re)pensar tal conceito interseccionado a outros marcadores sociais da diferença, torna-se fundamental para identificar as potencialidades/riscos ligados à produção de discursos e contra discursos religiosos. O entendimento das ideias transatlânticas sobre a religiosidade também é de interesse desse GT uma vez que a experiência afro diaspórica é profundamente marcada pelo câmbio de memórias de resistência que sobreviveram à travessia forçada do oceano.
Ponencia / Apresentação 1. Título: "Lideranças afrorreligiosas e o enfrentamento à Colonialidade do Saber: uma breve análise sobre novas mentalidades no Candomblé Contracolonial"
AUTORÍA: Dr. Claudenilson da Silva Dias (Universidade Estadual de Feira de Santana, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: O texto apresenta a forma como lideranças do Candomblé promovem uma nova perspectiva de mentalidade no que se refere aos processos de ensino-aprendizagem comuns nas Comunidades Tradicionais de Terreiros. Esse é um aspecto primaz para o desenvolvimento de uma prática que contrarie a colonialidade do saber, ainda difundida nos espaços de matriz africana, muito embora a nossa relação com a troca de saberes se paute em princípios africanos. Como ponto de contato as pessoas apresentadas promovem um debate sobre as vivências LGBTQIAPN+, de modo a potencializar as nossas corporeidades diante de práticas excludentes das minorias sexuais e de gênero.
Ponencia / Apresentação 2. Título: "Religiosidades de Angola ao Brasil: aspectos e similaridades nas expressões de religiosidade em Salvador e Luanda"
AUTORÍA: Dra. Florita Telo (FTC Gênero e Diversidade Consultoria, Angola)
RESUMEN / RESUMO: O pensamento africano com relação as expressões de religiosidade não seguem uma lógica de universalidade partindo do pressuposto que os entendimentos no campo da religião são díspares e não coadunam com a práticas religiosas no ocidente. Muito embora existam várias similaridades entre as práticas no Continente e no Brasil, no que se refere às questões litúrgicas, as práticas culinárias, ao nosso modo de evocação do sagrado, a relação com os mais velhos, dentre tantas outras, também nos diferenciamos em inúmeros aspectos. Desse modo, intentarei comparar as realidades da Província de Luanda, em Angola, e a cidade baiana de Salvador no Brasil, cidades coirmãs pelas perspectivas culturais, alimentares e do âmbito da religiosidade afrodiaspórica. Posso pensar, a partir do filósofo camaronês Achille Mbembe (2001) que essa pseudounicidade do pensamento africano assim como com a ideia de um Candomblé “puro” e universalizado é no mínimo “falha” uma vez que essa noção de pensamento único geraria uma essência a ser contraposta pela noção de que a identidade religiosa angolana de per se não pode ser tomada “por uma única palavra” em sua expressão religiosa bem como o Candomblé não tem uma única matriz, assim o fosse, as casas matriciais teriam cultos idênticos e isso não acontece, cada uma “mexe sua panela” de acordo com suas convicções e crenças individualizadas.