GT presencial 8 Estéticas do Fim do Mundo

Título: "Estéticas do Fim do Mundo: arte, fabulações e narrativas no Antropoceno como dispositivo de pesquisa nas Antropologias do Sul"

Horario

Grupo de Trabajo 8 presencial:

Día: Jueves-Quinta-feira 05/11/2026. Hora: 9:00-13:00 hrs. (Sur Brasil)

Coordinación / Coordenação

Doutoranda Priscila Silva Queiroz Cevada (Laboratório do Núcleo de Antropologia Urbana-LabNAU, Universidade de São Paulo-USP, Brasil)

Tiara Zampedri (Facultad de Filosofía y Letras, Universidad de Buenos Aires, Argentina)

Moderación / Moderação

Mestrando Fabio Luiz Silva de Oliveira  (Laboratório de Imagem e Som em Antropologia-LISA, Universidade de São Paulo-USP, Brasil)

Resumen / Resumo

Diante da emergência climática e da crise civilizatória que caracteriza o Antropoceno, as Antropologias do Sul enfrentam o desafio de produzir conhecimentos que ultrapassem a dicotomia moderna entre Natureza e Cultura. Questionar como as práticas artí no sticas podem atuar como dispositivos de visibilidade para as redes sociotécnicas e os conflitos ecológicos que a linguagem científica convencional muitas vezes negligencia se faz mais que necessário, pois se o Antropoceno é um evento que «desorienta» a bússola moderna, a antropologia precisa de novas ferramentas para “construir novas rotas”. Para além do campo artístico em sentido estrito, torna-se igualmente fundamental considerar como diferentes regimes narrativos — científicos, técnicos, jurídicos, midiáticos, cotidianos e até especulativos — participam da construção de inteligibilidades sobre o Antropoceno, disputando sentidos, escalas e responsabilidades. Nesse horizonte ampliado, a arte se entrelaça com outras formas de produção de conhecimento e sensibilidade, compondo ecologias narrativas que não apenas representam, mas performam mundos possíveis. Ao articular práticas discursivas diversas, abre-se espaço para pensar o Antropoceno como um campo de enunciações múltiplas, no qual saberes situados, experiências vividas e infraestruturas materiais se cruzam, tensionando fronteiras disciplinares e expandindo as possibilidades de imaginação política e ontológica diante das crises contemporâneas. Assim, este Grupo de Trabalho propõe discutir a arte não apenas como objeto de estudo, mas como uma forma de narrativa, pesquisa e método epistemológico capaz de pensar as transformações planetárias a partir de coordenadas geopolíticas e ontológicas sul-sul. Desse modo, propomos investigar como práticas fabulativo-narrativas e artístico-etnográficas podem captar as polifonias das paisagens de antropoceno conectadas pelas coligações entre humanos e não-humanos que emergem nas brechas do capitalismo extrativista.

O GT acolhe comunicações que explorem:

  • Etnografias que utilizam suportes artísticos (vídeo, som, performance, instalação) para documentar impactos ambientais no Sul Global.

  • Discussões teóricas sobre o papel das narrativas e da sensibilidade estética na reconfiguração da ética e política antropológica.

  • Projetos de colaboração entre antropólogos, artistas e comunidades tradicionais em contextos de devastação ecológica.

  • Buscamos, em suma, responder aos desafios éticos e políticos do Congresso: como as Antropologias do Sul podem gerar mapas cognitivos próprios que não sejam apenas reflexos de modelos canônicos, mas sim intervenções estético-políticas na composição de um mundo comum e habitável.

Sessão A - Antropologia da Formas Expressivas

Ponencia / Apresentação. Título: "Outras camadas: práticas artísticas em fotografias de família atingidas pelas enchentes"

AUTORÍA: Mestranda Luana Bohrer Krob (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Rio Grande do Sul, Brasil) 

RESUMEN / RESUMO: As fotografias são utilizadas no mundo inteiro como documentação de uma existência, seja de pessoas, de situações, de coisas ou de modos de ver o mundo. São objetos capazes de provocar sentidos complexos, ao princípio de que toda imagem registrada através de uma lente fotográfica se torna presente no mundo em uma eterna relação com aquele que a observa. Essa relação, como descrita por Didi-Huberman (1998), se dá de forma repleta de sentidos que produzem na imagem uma reação, tornando a distância, entre o objeto e o observador, dupla. Dessa forma, tanto o olhar quanto a fotografia se tornam agentes no processo de interpretação das imagens. Mas o que acontece quando uma fotografia é interferida por agentes externos que modificam a sua imagem de forma indesejada? Foi o que ocorreu com os álbuns de família atingidos pela enchente de 2024 no Rio Grande do Sul que foram recebidos pelo projeto Resgate de Memórias, do Núcleo de Antropologia Visual da UFRGS. Nessas imagens se vê uma mistura de manchas e apagamentos que alteraram suas significações para as famílias detentoras, remetendo ao que foi vivido pela enchente. A presente pesquisa, busca explorar a potência das práticas artísticas como maneiras de acrescentar uma camada a essas imagens, transformando seus significados na lida com o trauma. A reconfiguração, por meio de práticas como desenho, colagem, montagem entre outras técnicas, faz o movimento de preencher as lacunas provocadas pelo desastre ambiental, utilizando como meio a imaginação e as memórias. Dessa forma, são repensadas as narrativas contadas pelas imagens, provocando discussões no campo antropológico que tensionam a arte enquanto método de pesquisa no campo da memória e das mudanças climáticas. Afinal, como podemos transformar os modos de narrar o mundo na relação entre o que vemos e os objetos que nos encaram?

Ponencia / Apresentação. Título: "Futuros possíveis: narrativas hegemônicas e contra-hegemônicas na literatura de ficção científica como perspectivas culturais em disputa"

AUTORÍA: Dr. Daniel Francisco de Bem (Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS, Campus Erechim, Rio Grande do Sul, Brasil) 

RESUMEN / RESUMO: Diante da emergência climática e do colapso civilizatório do Antropoceno, este trabalho analisa a ficção científica (FC) não como mero objeto estético, mas como um regime narrativo e especulativo crucial para disputar sentidos e imaginação política perante o fim do mundo. Sob uma perspectiva antropológica, a comunicação investiga como as projeções sobre o futuro e a exploração sideral funcionam como um campo de enunciações que ora legitimam o status quo moderno, ora questionam esse discurso.

O argumento estrutura-se em três movimentos. O primeiro mapeia a FC canônica de Robert Heinlein, analisando como suas narrativas operam como vetores do «realismo capitalista» de Mark Fisher: um horizonte incapaz de conceber o fim do capital, projetando no espaço a continuidade da lógica extrativista, da colonização predatória e o elogio ao poder técnico.

O segundo movimento aborda a virada cínica e etnográfica da segunda metade do século XX. A partir do cinismo institucional de Frank Herbert em Duna, que antevê o tecnofeudalismo, alcança-se a eclosão de obras onde a crise ambiental e a crítica ao antropocentrismo guiam as narrativas de Ursula K. Le Guin e Octavia Butler. Dotadas de sensibilidade antropológica, essas autoras rasuram a ilusão de controle da engenharia moderna. Suas fabulações expõem os traumas do capitalismo e identidades dissidentes, sintonizando-se ao que Bruno Latour chama de aterrar: o abandono da fuga espacial pelo reconhecimento da Terra como solo disputado e simbiótico.

Por fim, o terceiro movimento analisa subgêneros contraculturais e desvinculados do cânone estadunidense, como o Solarpunk, o Afrofuturismo e os Futurismos Indígenas. À luz de Ailton Krenak, tais narrativas emergem como «paraquedas para adiar o fim do mundo». Na atual guerra de narrativas, essas expressões do Sul Global formulam mapas cognitivos próprios e saberes situados que, ao deslocarem as soluções tecnocráticas do Norte, performam mundos habitáveis contra-hegemônicos à imaginação capitalista.

Sessão B - Etnologia

Ponencia / Apresentação. Título: "Las pinturas rupestres de la Amazonia: una tecnología para habitar el entre mundos"

AUTORÍA: Dr.(c) Jacobo Cardona Echeverri (Université de Montréal, Canadá / Colombia) 

RESUMEN / RESUMO: Presento una reflexión sobre el llamado arte rupestre recientemente descubierto en los tepuyes de la Amazonía colombiana con la idea de superar el enfoque tradicionalmente asociado a la representación pictórica de las entidades de los ecosistemas de la selva con significativo trasfondo mítico. Busco enmarcar estas producciones bajo la lógica ontológica del animismo, y, al tiempo, siguiendo las ideas de Albert Gell sobre la tecnología del encantamiento y el encantamiento de la tecnología, resaltar su carácter mediador en el entramado de transacciones estéticas entre agentes humanos y no humanos. Este acercamiento me lleva a rechazar la imposición del modelo espaciotemporal moderno, estructurado en una noción lineal de progreso técnico y espiritual, la Historia, que hace de la carencia de la escritura un criterio de definición ontológica. En vez de hablar de sociedades históricas o prehistóricas (o ágrafas), hablaríamos de colectivos naturalistas o cosmográmicos, pues más que la incorporación y uso de una determinada tecnología de inscripción, que todas poseen, reivindico como principio diferenciador la capacidad de conciliar otras modalidades de espacio-tiempo de agentes no humanos en los procesos humanos de socialización, el habitar el entre mundos. La Amazonía emerge no solo como uno de los últimos bastiones capaces de asegurar nuestra supervivencia en el planeta, sino también como un ejemplo de la integración tecnológica entre diferentes tipos de entidades. Comprender estas alianzas y desarrollar las nuestras dentro de una nueva economía de supervivencia podría resultar crucial para los tiempos que vivimos.

Ponencia / Apresentação. Título: "Poderes Flotantes-Floating Powers, un proyecto y metodología interdisciplinarios entre paisajes extractivos, arte contemporáneo y antropología"

AUTORÍA: Ph.D. Maica Gugolati (Instituto de los Mundos Africanos, CRNS, Colombia / Francia) 

RESUMEN / RESUMO: Floating Tropics es un proyecto visual personal en curso que cuestiona la representación de las tierras extractivas como retratos del nacionalismo en las sociedades poscoloniales contemporáneas, comenzando con la República de Trinidad y Tobago en las Indias Occidentales. Esta contribución presenta las intersecciones de una metodología interdisciplinaria experimental que integra arte contemporáneo, fotografía, historia del arte y antropología con los problemas del Antropoceno y el Plantationoceno (Harawai 2019) en las sociedades contemporáneas. Trinidad es el segundo mayor productor de petróleo y gas en la región del Caribe. Basándome en una reflexión inicial sobre la etimología de «paisaje» en inglés, el idioma oficial de Trinidad y Tobago, «land-scaping» significa dar forma a la tierra (Mitchell 2002). Con este proyecto, cuestiono los efectos de dar forma a la tierra mediante el «landscape» en suelos y aguas contemporáneos que coexisten con el extractivismo. Pintar paisajes en la época colonial no era un acto de reproducir un retrato fiel de las tierras, sino más bien una proyección de cómo deberían verse y crearse en el futuro. Partiendo del estudio del paisaje colonial en el territorio insular, el proyecto utiliza collages digitales yuxtapuestos de lugares contemporáneos reales, naturales y extractivos para crear nuevos retratos hiperrealistas de las tierras que cuestionan la mirada y su consiguiente manipulación. Aborda las formas autoexóticas y exotizantes de crear tierras imaginarias en las que vivimos y ofrece la posibilidad de ampliar el pensamiento crítico sobre los límites del extractivismo, no solo como «moldear tierras» sino también como «moldear las vidas» de las poblaciones que las habitan. Aquí, el Antropoceno y el Plantationoceno no son un presagio del fin de un mundo humano, sino herramientas para la concienciación y el empoderamiento, con el fin de decidir una coexistencia más consciente entre el ser humano y los recursos naturales, y encontrar soluciones.

Sessão C - Futurismos

Ponencia / Apresentação. Título: "A sociedade do antropoceno é uma distopia Cyberpunk?"

AUTORÍA: Mestrando Maycon Souza de Oliveira (Departamento de Antropologia, Universidade de São Paulo, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: Este artigo investiga as interseções entre o gênero cyberpunk e o Antropoceno, analisando como representações sociais, ambientais e tecnológicas presentes em obras literárias e audiovisuais do cyberpunk refletem e dialogam com as dinâmicas da realidade contemporânea. O estudo parte da compreensão de que o Antropoceno marca a era em que a ação humana transforma ecossistemas em escala planetária, enquanto o cyberpunk, surgido como crítica ao capitalismo tardio, antecipa dilemas como degradação ambiental e desigualdade social. A pesquisa adota abordagem qualitativa, descritiva e exploratória, comparando representações do gênero com dados de cidades como São Paulo, Tóquio, Hong Kong e Los Angeles. Ao relacionar ficção científica e antropologia, busca-se compreender como narrativas distópicas oferecem instrumentos simbólicos para refletir sobre crises urbanas, tecnológicas e ecológicas, ampliando o debate interdisciplinar sobre o futuro da humanidade.

Ponencia / Apresentação. Título: "Câmera, mito, ação - Cosmopercepções afro-brasileiras no cinema nacional contemporâneo"

AUTORÍA: Mestrando Marcus Vinícius França Santos (Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: Esta apresentação tem por objetivo interpretar por meio de uma abordagem antropológica a presença da cosmopercepção e das narrativas míticas afro-brasileiras (oriundas principalmente do candomblé e da umbanda) na construção do enredo do filme «Rapsódia para o Homem Negro» (dir. Gabriel Martins, 2015). Tendo em vista o processo de conscientização negra e combate ao racismo e à intolerância religiosa, as mitologias, cosmologias e valores do candomblé crescentemente têm se apresentado enquanto elementos na construção desse e de outros filmes brasileiros contemporâneos em vários planos: na composição das histórias (enredos), na caracterização de personagens ficcionais que representam ou se inspiram nas características das divindades, na presença de cenas ou cenários (tomadas) que remetem aos ritos dos terreiros, entre outros. Busca-se aqui entender, portanto, a relação das propostas artísticas dessas produções (“câmera”) com os elementos ontológicos do terreiro (“mito”) e com a tomada de consciência política no Antropoceno (“ação”).

Ponencia / Apresentação. Título: "Pisar suave nos caminhos antigos e fabular futuros compartilhados – considerações desde uma pesquisa em processo"

AUTORÍA: Dra. Paulina Maria Caon (Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil) 

RESUMEN / RESUMO: Nesta comunicação apresento a pesquisa de pós-doutorado em andamento na Universidad de Buenos Aires (UBA), que tem apoio do CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – Brasil, na qual me proponho a rastrear caminhos antigos em fragmentos do território da América do Sul e realizar caminhadas guiadas por programas performativos em alguns deles, visando a sistematização de princípios e procedimentos pluriepistêmicos para contextos de formação inicial e continuada de professores. Parto de procedimentos das práticas artísticas contemporâneas, especialmente da formulação de programas performativos e do caminhar como uma prática estética e política como proposições multidimensionais. Os programas performativos de caminhada funcionam como procedimento de investigação cotidiana, apostando no enraizamento sensorial-corporal dos processos de conhecimentos; do mesmo modo, eles têm sido praticado junto ao Coletivo Teatro Dodecafônico (SP/Brasil) e em minha prática docente nos processos de formação de professores de teatro em universidade brasileira, desdobrando-se como modo de criação, ensino e aprendizagem situado, pautado na produção de saberes-fazeres-narrativas situadas em nosso território vivido, em oposição a saberes e categorias abstratas de conhecimento. A pesquisa, transdiciplinar, tece diálogos com diferentes campos de conhecimento: as corporalidades, a fenomenologia cultural, as práticas artísticas e ativistas contemporâneas, os saberes-fazeres de populações ameríndias e afro-diaspóricas, assim como os estudos antropológicos e ambientais atuais. Proponho apresentar uma seleção das ações caminhadas realizadas, discutindo alguns dos princípios da pesquisan e dos questionamentos que o próprio caminhar trouxe para a investigação. Investigar epistemologias enraizadas em territórios sul-americanos subsidia a afirmação da relevância da corporalidade nos processos de produção de conhecimento, bem como a relevância da constituição de outros modos de habitar e coexistir no planeta. Ao realizar essa pesquisa aposto na constituição de epistemologias artísticas situadas para a formação de professores, que possibilitem o movimento, a fabulação de narrativas e de futuros compartilhados.

Sessão D - Antropologia da Técnica

Ponencia / Apresentação. Título: "A 'zooliteratura' de Horacio Quiroga: imaginando mundos possíveis nas ruínas de San Ignacio (Argentina)"

AUTORÍA: Mestrando Robson Eduardo Gibim (PGC, Universidade Estadual de Maringá – UEM, Cidade de Maringá, estado Paraná, Brasil), Dr. Fagner Carniel (Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais, Universidade Estadual de Maringá – UEM, Cidade de Maringá, estado Paraná, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: Horácio Quiroga foi um dos principais contistas latino-americanos do século XX e retratou em diferentes facetas as relações entre animais humanos e mais-que-humanos e por isso, me utilizo do conceito de ‘zooliteratura’ proposto por Maria Esther Maciel. Este estudo se ocupa de diferentes contos, crônicas e livros, além de uma cartilha escolar escrita pelo autor uruguaio, que privilegiam os diferentes pontos de vista das animalidades ou que possuam personagens animais desencadeadores de ações. Me aproprio da abordagem situada de Donna Haraway, por conceber os demais viventes como agentes portadores de sentido que participam da produção do mundo, além de permitir ao pesquisador se posicionar ou se localizar ética e politicamente. A pesquisa, que dá relevo aos aspectos antropológicos, sociais e políticos da narrativa quiroguiana, revelou diferentes modos de se relacionar com estes Outros mais-que-humanos, que por vezes, se deslocam do imaginário colonial moderno, ao apresentar relações menos universalizantes ou totalizantes e possibilitar ao leitor prospectar mundos mais compartilhados de sentidos, mais responsáveis do ponto de vista das ações humanas e de fronteiras entre espécies menos rígidas, donde florescem arranjos multiespécies que comportem, além do desenvolvimento e do progresso, pessoas, bichos, plantas, rios e suas naturezas-culturas.

Ponencia / Apresentação. Título: "Bosques en miniatura: filtros cognitivos, escucha y percepción"

AUTORÍA: Dra. Graciela Muñoz Farida (Pontificia Universidad Católica de Valparaíso, Chile)

RESUMEN / RESUMO: En el denso sotobosque de la Isla Navarino, en la región subantártica de Sudamérica, una lupa se convierte en un instrumento de perspectiva. Escuchando entre senderos, viajamos hacia otras dimensiones, un mundo vibrante e intrincado de briófitas, como líquenes y otras diminutas plantas no vasculares se hacen gigantes mientras el propio cuerpo empequeñece. Los bosques en miniatura (Rozzi, 2010) son pequeños ecosistemas extendidos sobre troncos y piedras, a menudo inadvertidos, presentes por doquier en el planeta. Al reenfocar la atención del cuerpo hacia estos micromundos, mi percepción es interpelada: ¿cómo escuchar la miniatura?

Esta ponencia propone un marco para comprender la escucha como una práctica moldeada por la perspectiva; imaginarios colectivos, puntos de vista y audición. A partir de la metáfora de los bosques en miniatura, exploro cómo la escucha opera no solo como un acto intelectivo, sino como un proceso de coimplicación entre múltiples agencias.

Abordo lo anterior a partir de dos enfoques. Por una parte, para Donna Haraway, los efectos que las dinámicas de intercambios recíprocos, simpoiéticos, acarrean en el campo de la propia subjetividad se corresponden con una referencialidad compartida; en éstos las reuniones no se hallan determinadas por su potencial auto generativo sino por una simpatía colaborativa. Por otra parte, en otra perspectiva, la escucha empática fundada por el psicólogo estadounidense Carl Rogers, concibe un enfoque centrado en la persona como índice paradigmático; el sustrato que determina la responsabilidad de los sujetos en la vida colectiva. Al tenor de ambas, y revisitando el concepto de interescucha de Lisbeth Lipari, revisaremos cómo la escucha acontece bajo la mirilla de una compleja red de factores que permiten explorar, más allá del oído, los sesgos que fluyen como dinámicas de compuerta, determinando los márgenes de lo común.