GT presencial 11 Pesquisas Etnográficas em comunidades quilombolas

Título: "Pesquisas Etnográficas em comunidades quilombolas: produções audio-visuais, artísticas, didáticas nas Relações Étnico-Raciais"

Coordinación / Coordenação

Dra. Angela Maria de Souza (UNILA, Brasil)

Dra. Anny Ocoró Loango (Untref/CONICET, Argentina)

Moderación / Moderação

Dra. Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA, Brasil)

Resumen / Resumo

Um caminho múltiplo e diverso tem sido trilhado a partir de relações de parceria que têm tido lugar em comunidades quilombolas apresentadas neste Grupo de Trabalho. Uma “parceria” é um exercício a longo prazo que envolve muita escuta, respeito à trajetória local e aos desejos de seus moradores; neste caso, tendo as imagens e materiais sensíveis como catalisadoras de relações, como produções audio-visuais, artísticas, didáticas, entre outras, com conteúdo contextualizado e que possibilitem um suporte para o debate sobre as Relações Étnico-Raciais. Dessa relação, emergiram reflexões e construções compartilhadas que leva a diferentes produtos, apresentados como bordados, fuxicos, cartilhas, artesanatos, produtos cosméticos e alimentícios que prescindem e contemplem conhecimentos que vem sendo transmitido em gerações. Procuramos dar protagonismo a materiais interativos voltados para uma aprendizagem situada (Lave, 2015) e que relacionem convivialidade, diferença e reconhecimento  que foram sendo reveladas enquanto caminhos que permitem reativar relações dentro de cada comunidade quilombola, nas quais as experiências interpretadas realizam um fazer-interpretativo que vai além da busca por representações daquilo que é observado. Na construção dessa mediação feita pelas produções audio-visuais, artísticas, didáticas, entre outras, a valorização de diferentes formas de conhecimento é também construída. Procura-se, desse modo, contemplar a valorização de outros imaginários que não os hegemônicos e observar as implicações e potencialidades da relação entre pesquisas etnográficas e o desenvolvimento de projetos de audiovisual com perspectiva didático-pedagógica sobre as Relações Étnico-Raciais. A atenção à pesquisa é elaborada, assim, de forma coletiva, dando centralidade ao seu processo em lugar de hipóteses universalistas. Sendo assim, as pesquisas aqui reunidas têm possibilitado visualizar processos, ressignificações e adaptações que nossas/os interlocutoras/es quilombolas têm vivenciado em seus territórios por meio da constante descoberta de recursos criativos que se relacionam a suas trajetórias, técnicas e memórias. O processo da pesquisa se torna, então, um exercício restitutivo contínuo na relação com as comunidades.

Ponencia / Apresentação 1. Título: "O têxtil político das Fuxiqueiras do Bem: enlinhando território, raça e gênero"

AUTORÍA: mestranda Gabriela Novaes Santos (Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: O bordado depende de uma correspondência prática, tátil e reflexiva, entre corpo bordador, ferramentas têxteis e a (nova) linha, estreada pela agulha, abrindo caminho pelo tecido-tela. O mais desafiador do existir dessa correspondência seria assumir a responsabilidade epistemológica do bordar em um percurso de criação que se confunde aos sentidos ontológicos. Nesse sentido, a escolha do que se irá bordar e como eleva os níveis de reflexão quando feita coletivamente pois nos atenta à necessidade de observação da feitura de quem está próximo e seus macetes, seus materiais, suas formas de correspondência, seu percurso enlinhado-tecido-corpo.

Ponencia / Apresentação 2. Título: "(Con)fabulações audiovisuais em quilombos do sertão brasileiro"

AUTORÍA: Dra. Patrícia dos Santos Pinheiro (UNILA, Brasil)

RESUMEN / RESUMO: A história e paisagens do sertão paraibano têm sido uma importante fonte de inspiração e de elaboração estética nas artes. Uma paisagem árida e um povo sofrido, invariavelmente despontam à primeira vista. Mas é também no Alto Sertão, município de Coremas, que fica o maior reservatório de água do estado da Paraíba – o Complexo Estevam Marinho, que já foi o maior do Brasil, antes da construção da hidrelétrica de Itaipu Binacional. Nele, há um navio submerso. Nesta apresentação, trarei reflexões geradas pela produção da série documental Navio do Sertão, em comunidades quilombolas de Coremas, Brasil. A despeito das contínuas violências que sofrem, esses territórios são também objeto de reflexão cultural e social sobre os mundos nos quais nos situamos e compõe o cenário da série documental. Apesar das mazelas, foi possível construir complexos conhecimentos sobre o ambiente sertanejo e sobre expressões culturais, contada através das águas por seus narradores. Mostrar essas narrativas que atravessam gerações também permite enfatizar imaginários sobre o Nordeste que vão além das secas e violência, mas sim percorrem uma poética das águas.