Título: "Reinterpretar el ODS 11 desde las perspectivas de las antropologías y los territorios del Sur global / Reinterpretando o ODS 11 a partir das Antropologias e Territórios do Sul Global"
Coordinación / Coordenação
Dra. Leticia Peña Barrera (Universidad Autónoma de Ciudad Juarez, México)
Dra. Elza Luli Miyasaka (Universidade Federal de São Carlos, Brasil)
Moderación / Moderação
Dr. Felipe Facci Inguaggiato (Universidade Estadual de São Paulo, Brasil)
Resumen / Resumo
As crises multidimensionais do sistema-mundo contemporâneo, decorrentes de processos de reprodução espacial estruturadas pelo modelo capitalista, patriarcal e mercadológico, impõem a necessidade de repensar métricas e intervenções urbanas sob uma lente crítica, principalmente mediante práticas neoextrativistas que perpetuam o neocolonialismo econômico que mantém entranhadas as desigualdades entre o Norte e Sul Global. Este Grupo de Trabalho propõe um diálogo transnacional e relacional entre Brasil e México articulado a uma rede de investigação que abrange Argentina, Colômbia e Peru para confrontar os modelos hegemônicos de cidades sustentáveis (relacionado ao ODS 11), contrapondo a abstração dos indicadores globais às vivências territoriais do Sul Global. O debate estrutura-se em dois eixos complementares, viabilizados por uma rede de cooperação científica entre pesquisadores e instituições da América Latina. O primeiro foca na crítica à insuficiência metodológica e epistemológica dos indicadores da ONU para capturar as complexidades das periferias latino-americanas, tomando o contexto brasileiro como ponto de partida para essa crítica. A partir da realidade do Estado de São Paulo, discute-se como a incorporação de variáveis sociodemográficas revela a produção social do espaço que escapa à um formato holístico, em seu sentido totalitário e abrangente, com o objetivo de propor novos paradigmas que refletem as desigualdades socioespaciais e o direito à cidade, principalmente no tocante a grupos periferizados e excluídos da cidade formal. Complementando essa análise macroestrutural brasileira, o segundo eixo debruça-se sobre a práxis: as metodologias participativas e a antropologia do Sul Global como ferramentas contra-hegemônicas e insurgentes de resistência ao abandono habitacional e à insegurança, sobretudo por meio de práticas de exploração mercantil do espaço. Essa perspectiva é aprofundada através do contexto mexicano, onde o co-desenho, a sintaxe espacial e a reflexão-ação transformam espaços públicos em ambientes solidários e colaborativos. Essas estratégias não apenas mitigam o deterioro urbano, mas combatem as lógicas neoextrativistas ao promover a apropriação comunitária e a segurança através do pertencimento e relações permeadas pela horizontalidade, servindo como modelo para análises comparativas em outros centros regionais da América Latina. Sob a mediação teórica de conceitos como a produção do espaço e a função social da propriedade, o GT busca identificar como a integração entre dados censitários insurgentes e intervenções etnográficas pode oferecer respostas concretas às crises globais, principalmente àquelas enraizadas estruturalmente no Sul Global. Ao unir a análise quantitativa crítica brasileira e a metodologia qualitativa-participativa mexicana, alicerçadas na articulação entre centros de investigação e redes de expertises do Sul Global, este grupo pretende formular uma estrutura cognitiva alternativa que priorize a vida coletiva, a democratização do acesso ao espaço urbano as relações horizontalizadas frente à exploração de recursos naturais e à mercantilização do território, fortalecendo a produção científica colaborativa e o intercâmbio regional.
Ponencia / Apresentação 1. Título: "Inteligencia artificial y producción de espacio: un análisis sociodemográfico de las desigualdades en materia de vivienda en el estado de São Paulo / Inteligência Artificial e a Produção do Espaço: Uma Análise Sociodemográfica das Desigualdades Habitacionais no Estado de São Paulo"
AUTORÍA: Mestre Júlia Neves Andrade (Universidade Federal de São Carlos, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Epistemologias situadas no Sul Global analisam o processo histórico de exploração que perpetua desigualdades socioespaciais persistentes na América Latina. Essa urbanização periférica e fragmentada torna urgentes estudos regionais que capturem heterogeneidades para além das grandes metrópoles. Sob a perspectiva das Antropologias do Sul, este trabalho analisa a precariedade habitacional no Estado de São Paulo (Brasil), compreendendo o espaço urbano como motor ativo na reprodução das desigualdades sociais (Segura, 2014). O objetivo é investigar as tendências urbanas de 645 municípios através da Meta 11.1, dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que “visa garantir acesso de todos à habitação segura, adequada e a preço acessível, além de serviços básicos e a urbanização de favelas”, integrando Inteligência Artificial (IA) ao debate demográfico de raça, cor e gênero. A fundamentação teórica articula os limites das políticas urbanas frente a estruturas desiguais (Maricato, 2015) e a compreensão do território como resultado de processos históricos e lógicas de acumulação capitalista (Santos, 2010). Metodologicamente, a pesquisa utiliza o Censo 2022 para estruturar um banco de dados unificado, aplicando Machine Learning para identificar padrões de segregação e informalidade que o planejamento tecnocrático convencional frequentemente ignora. O diferencial reside na escalabilidade: a IA permite processar grandes volumes de dados sem perda de profundidade analítica, revelando a insuficiência de moradia adequada sobre corpos e territórios subalternizados. A discussão confronta a lógica neoliberal e o incentivo mercantil da produção imobiliária com a necessidade de uma ciência situada à realidade do Sul Global. Argumenta-se que a tecnologia, quando atravessada por uma análise sociodemográfica e sociopolítica, serve como instrumento de resistência para desvelar a fragmentação territorial e a urbanização periférica. Conclui-se que o uso de dados avançados é fundamental para o acompanhamento crítico do direito à cidade, subsidiando estratégias de planejamento equitativas que reconheçam as especificidades brasileiras frente à crise do sistema-mundo.
Ponencia / Apresentação 2. Título: "Al norte del Sur Global, estrategias participativas para la Vivienda social en México"
AUTORÍA: Dra. Carmen García Gómez (Universidad Autónoma de Yucatán, México)
RESUMEN / RESUMO: México como país en la frontera con Estados Unidos enfrenta los impactos de la economía neoliberal programada por el capital, se presentan tendencias de crecimiento urbano y producción de vivienda social como un negocio con modelos impuestos que promueven los beneficios de la propiedad privada. Estos modelos impactan en la economía de millones de familias por medio del endeudamiento de largo plazo. Frente a eso se viene modificando la vida cotidiana, aumento de la jornada de trabajo y de familias endeudadas, viviendas que no reconocen las diversidades culturales, mediante una colonización del pensamiento que suple la visión del patrimonio como bien social por el de negocio. Los principales programas de financiamiento institucional, con créditos de largo plazo aumentan la vulnerabilidad social, en zonas periurbanas, espacios públicos abandonados y ambientes degradados que no corresponden con los anhelos de sus ocupantes. Esto implica que deban destinar más tiempo, ocupar horarios de descanso, involucrando a niños, jóvenes, adultos, hombres y mujeres para que por medio de programas colaborativos y de autoayuda que logren mitigar los efectos nocivos de estas políticas neoliberales. En este trabajo se identifican las metodologías participativas implementadas en la recuperación del espacio Público (co-diseño; reflexión-acción; sintaxis espacial; CPTED, entre algunas) buscando disminuir el abandono de viviendas y las condiciones de inseguridad, mediante la apropiación de espacios públicos antes de que sean vendidos por estar abandonados o en deterioro. Se identifican procesos y estrategias de la antropología del Sur Global logrando transformar las condiciones desiguales mediante ambientes solidarios y colaborativos. Los cambios son evidentes en cuanto a mejora de ambientes, incremento de la participación e integración, haciendo que el ODS 11 sobre Ciudades Sostenibles se vaya cumpliendo. Se tienen como resultados opciones de intervención para mejorar sus entornos a partir de colaboraciones con base a su cultura y región.