Título: "ANTROPOLOGIA DOS QUILOMBOS E DAS COMUNIDADES TRADICIONAIS: identidade, gênero e interseccionalidade"
Coordinación / Coordenação
Dra.(c) Liberacy de Souza Oliveira (Universidade Federal do Amazonas- UFAM, Brasil)
Lcdo. Eufrásio Bango (Universidade SAVE, Moçambique – provincia de Gaza)
Moderación / Moderação
Dr.(c) Felipe Magno Silva Pires (Universidade Federal do Amazonas-UFAM, Brasil)
Resumen / Resumo
As comunidades quilombolas e tradicionais resistem por séculos as violentas práticas do racismo social e ambiental, desafiados a lutar contra todas as formas de opressões e violações dos seus corpos biológicos, sociais e culturais. Homens e mulheres estiveram sempre protagonizando as defesas dos seus territórios e territorialidades. As mulheres quilombolas e dos povos tradicionais têm papéis fundamentais nas transmissões e preservações dos modos de vidas e tradições, demarcando as territorialidades e as territorializações. Protagonizam as suas (re)existências e empoderamentos nas estratégias e participações nos processos de aquilombamentos culturais e religiosos dispositivos de visibilidades sociais e culturais das comunidades quilombolas e tradicionais que são atravessadas por outros elementos de lutas e resistências identitárias como a educação antirracista protagonizado e dialogado pelas práticas culturais afro-diaspóricas mais amplos, inclusive em contextos africanos e de países como Moçambique. O referido Grupo de trabalho tem como proposta metodológica e epistêmica constituir este debate, sobre os processos e estratégias de resistências, de expressões políticas e sociais que são adotadas pelos quilombos e comunidades tradicionais nas suas Narrativas e Escrevivências dos seus corpos e lugares de fala nos aquilombamentos pelas forças motrizes de pessoas negras, quilombolas e povos tradicionais, evidenciando as perspectivas de gênero, identidade e interseccionalidade.
Ponencia / Apresentação 1. Título: "O samba como dispositivo cultural no empoderamento e no protagonismo feminino do Quilombo de São Benedito em Manaus"
AUTORÍA: Dra.(c) Liberacy de Souza Oliveira (Universidade Federal do Amazonas- UFAM, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: A referida pesquisa busca contextualizar o processo histórico e cultural do auto reconhecimento da negritude e do sujeito quilombola; descrever como se dá o processo de aquilombamento no quilombo urbano de São Benedito; além de identificar e descrever os caminhos metodológicos de resistência cultural e política desenvolvida no Quilombo para o autorreconhecimento de um espaço sociocultural de representatividade da negritude. O objetivo é evidenciar os caminhos vivenciados pela comunidade do Barranco do Quilombo de São Benedito através do samba, sua escrevivência histórica e empírica no resgate, na resistência, e no empoderamento da identidade negra e quilombola, a partir dessa musicalidade que se conecta o tempo todo com suas ancestralidades, entendendo assim que a música é um indicativo significativo de reconhecimento identitário de um grupo social, que durante décadas sofreu ações de apagamento e aniquilamento socioculturais. A etnografia do samba no Quilombo de São Benedito será o caminho percorrido para o mergulho desse processo que na atual conjuntura vive essa comunidade.
Ponencia / Apresentação 2. Título: "O aquilombamento e as relações de gênero pelo samba na comunidade quilombola urbana em Manaus"
AUTORÍA: Mestrando Albino da Wilton Vicente Tamele (Universidade Federal do Amazonas, Moçambique – província de Gaza)
RESUMEN / RESUMO: A presente pesquisa tem como objetivo compreender o processo que evidencia o resgate e a resistência do empoderamento da identidade negra e quilombola a partir do samba e da musicalidade nas relações de gênero e suas interseccionalidades. Parte-se do entendimento de que a música constitui uma importante forma de representação e reconhecimento identitário de grupos sociais e étnicos, conectando práticas culturais locais a heranças da diáspora africana. O samba é um elemento cultural desenvolvido e vivido pela comunidade negra. Será desenvolvida uma etnografia do samba no Quilombo de São Benedito, comunidade urbana situada na cidade de Manaus-AM. Sob uma perspetiva etnográfica, a festa ultrapassa um olhar do entretenimento, constituindo-se como uma manifestação sociocultural que expressa o resgate da identidade negra e quilombola, além de reafirmar a existência e a resistência de um quilombo urbano na cidade de Manaus. Nesse contexto, o samba também se articula às relações de gênero, revelando dinâmicas de participação, protagonismo e construção coletiva que dialogam com práticas culturais afro-diaspóricas mais amplas, inclusive em contextos africanos e de países como Moçambique.
Ponencia / Apresentação 3. Título: "O retorno das mulheres quilombolas diplomadas: Entre socialidades e reterritorializações"
AUTORÍA: Dra.(c) Cynthia Cristina Do Nascimento (Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Nas últimas décadas, as ações afirmativas ampliaram o acesso de estudantes quilombolas ao ensino superior, produzindo novos percursos educacionais e experiências sociais. A pesquisa busca compreender as experiências de retorno de mulheres quilombolas diplomadas às suas comunidades de origem e os efeitos da formação universitária em suas trajetórias individuais e coletivas. O estudo concentra-se em mulheres quilombolas egressas da Universidade Federal de Mato Grosso, ingressantes por meio do Programa de Inclusão de Estudantes Quilombolas (PROINQ). A investigação, de caráter etnográfico, dialoga com os estudos sobre gênero, territorialidades e Antropologias do Sul. Pretende-se discutir como a formação superior repercute nas socialidades, nos vínculos comunitários e nos processos de reterritorialização, contribuindo para o debate sobre ações afirmativas, gênero e comunidades tradicionais.
Ponencia / Apresentação 4. Título: "MEMÓRIAS FORMATIVAS: a Extensão Universitária e intercâmbio intercultural de mulheres de coco de roda indígenas e quilombolas"
AUTORÍA: Dra. Maria Luzitana Conceição dos Santos (Maria Luzitana Conceição dos Santos / projeto de extensão Comunidade Colaborativa de Mulheres Afro-brasileiras e Ameríndias – COCAM / Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as – ABPN / Núcleo de Estudos e Pesquisas Afro-brasileiros e Indígenas – NEABI/UFPB / Núcleo de Estudos e Pesquisas É’LÉÉKÒ/UFPel/UFRGS / Movimento de Mulheres Negras na Paraíba, Brasil), Mestranda Luciene Tavares da Silva Lima (UEPB / Organização de Mulheres Negras de Caiana – Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos- Alagoa Grande / Rede de Mulheres Negras do Nordeste / Projeto de extensão Comunidade Colaborativa de Mulheres Afro-brasileiras e Ameríndias – COCAM, Brasil), Lcda. Daiane Silva Lima (Associação de moradores do Quilombo Caiana dos Crioulos / Incubadora Social Feminista Antirracista Norte Nordeste e Amazônia Legal, Brasil), Mestranda Camila Oliveira Ferreira (UFPB / Projeto de Extensão Comunidade Colaborativa de Mulheres Afro-brasileiras e Ameríndias – COCAM, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: O objetivo deste trabalho é sentir-pensar a experiência de formação intercultural docente desde a práxis do Intercâmbio Intercultural com as mulheres quilombolas e indígenas de coco de roda. A experiência com a construção do Intercâmbio Intercultural foi (e continua sendo) o ‘elo’ dos diálogos formativos entre docentes de diferentes atuações: professoras indígenas de Ensino Fundamental e Médio, professora negra na Educação Superior e professora não indígena e não negra também na Educação Superior. A permanência da prática cultural do coco de roda, protagonizada por mulheres quilombolas e indígenas, apresenta-se como uma das formas de re-existência às violações socioculturais, além de defesa do território e territorialidades e preservação dos modos de vida e tradição. As memórias formativas apoiam a proposta de construção de uma cartografia intercultural enquanto principal método, desenvolvido a partir da prática extensionista. Para tanto, consideramos a comunidade tradicional Quilombo Caiana dos Crioulos, localizada na zona rural, região do brejo paraibano, a 12 km da área urbana de Alagoa Grande, no nordeste brasileiro, Paraíba, sujeito central nesta reflexão sobre o processo de formação docente intercultural. O debate que parte de uma universidade a partir da Extensão Universitária, nos leva a sentir-pensar uma noção de educação contracolonial desde o pensamento de mulheres negras e indígenas, na complexidade da relação com a universidade pública de característica neocolonial. Ao longo do texto, no território de memórias, revelam-se também territórios de saberes para uma formação intercultural docente fundada em oralituras e escrevivências (Martins, 2021; Evaristo, 2018), caminhos metodológicos que ao buscar descolonizar metodologias possibilitam (re)encontros com uma Améfrica Profunda (Tuhiwai-Smith, 2016; Santos, 2021).
Palavras-chave: Memórias Formativas; Formação Intercultural Docente; Mulheres do Coco de Roda.
Ponencia / Apresentação 5. Título: "Comer, Resistir e Existir: Os Desafios da Segurança Alimentar no Quilombo Moju Miri, Pará, Amazônia"
AUTORÍA: Mestranda Kaliane Barros de Souza (Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal do Pará, Brasil), Dr. Marcus Augusto de Oliveira (Universidade Federal do Pará, Brasil), Dra. Maria Elena Crespo Lopez (Universidade Federal do Pará, Brasil), Dra. Gabriela de Paula Arrifano (Programa de Pós-Graduação em Antropologia, Universidade Federal do Pará, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Este estudo analisa a relação entre as características socioeconômicas, sociodemográficas e a segurança alimentar na Comunidade Quilombola Moju Miri, localizada entre os municípios de Moju e Abaetetuba no estado do Pará, Amazônia. Através de uma pesquisa de campo realizada em março de 2026 com aplicação de questionários socioeconômicos e da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) de oito itens; de coleta de dados antropométricos como peso, altura e cálculo do IMC; bem como revisão bibliográfica. Constatou-se 60% da população analisada em Insegurança Alimentar (IA), sendo 13% em IA grave. Dentre as pessoas em IA, 78% eram mulheres. Nossos dados apontam para um cenário de IA predominantemente feminina, negra e de baixa renda, demonstrando que essa população enfrenta severas carências de infraestrutura básica e os impactos socioambientais históricos provocados pela chegada de grandes empresas de monocultura de dendê na região. Adicionalmente, os impactos socioambientais provocados pela construção de grandes projetos/empresas em áreas adjacentes a seus territórios, tem imposto profundas mudanças no padrão alimentar dessas populações, favorecendo a entrada de alimentos ultraprocessados. Isso leva ao aumento de problemas como sobrepeso e obesidade, como evidenciado em nosso estudo, em que 82% da população participante apresenta sobrepeso ou obesidade. Esse cenário de racismo ambiental e restrição econômica compromete a soberania alimentar e força uma transição nutricional negativa, caracterizada pela substituição da dieta tradicional rica e biodiversa pelo consumo de alimentos ultraprocessados de baixo custo adquiridos em centros urbanos. Diante dessa vulnerabilidade, as práticas da agricultura familiar, da pesca artesanal e do manejo do açaí e da mandioca configuram-se como eixos vitais de resistência política, preservação da identidade cultural e manutenção do território, evidenciando a urgência de políticas públicas efetivas que garantam os direitos territoriais e a proteção dos modos de vida tradicionais quilombolas.
Ponencia / Apresentação 6. Título: "Cartografias acerca da resistência, segurança alimentar e nutricional em uma comunidade quilombola urbana na cidade de Manaus"
AUTORÍA: Dra.(c) Paloma Sodre Cardoso (Universidade Federal do Amazonas – UFAM, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: O estudo tem como objetivo mapear os processos que sinalizam a resistência da Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) no Quilombo Urbano de São Benedito, é uma comunidade quilombola urbana que ao longo de sua existência vem desenvolvendo atividades culturais e sociais desafiando um cenário das contradições onde a sobreposição de violências estruturadas pelas desigualdades sociais, pelo machismo e o racismo tendenciam ameaçar a SAN e operar sobre a perda da soberania alimentar. As mulheres quilombolas como protagonistas históricas da comunidade vivem hoje as resistências no território com as crianças da comunidade. Nos quilombos, a história mostra sobre segurança e sobre alimentar pelas suas vivências e experiências subjetivas e coletivas. Ainda há regiões, comunidades e povos afetados de forma desigual pela insegurança alimentar no Brasil. Nesse cenário, os quilombos figuram como território de resistência e cuidado, onde circulam inúmeros aspectos da segurança alimentar. Na cooperação feminina das mulheres quilombolas, coletivamente, não se produz só comida, se produz proteção da cultura, do meio e dos alimentos regionais, dos modos de preparar, conservar e interagir com o alimento. Nessa perspectiva, a comunidade enfrenta múltiplas formas de opressão produzidas pela interseccionalidade entre classe, gênero, raça, idade, e outros marcadores sociais que atravessam o território. Diante desse cenário, mobiliza estratégias de resistência e organização coletiva em busca da garantia da segurança alimentar e nutricional, bem como da construção e fortalecimento da soberania alimentar vivenciada e reivindicada no contexto comunitário atual. Tais objetivos contribuirão para as pesquisadoras “in-mundas” cartografar as presenças da segurança alimentar e nutricional, soberania alimentar, resiliência e resistência no Quilombo Urbano. As principais bases teóricas são Gilles Deleuze e Félix Guattari bem como os desdobramentos de autores e autoras aliadas da cartografia do desejo.
Ponencia / Apresentação 7. Título: "Reconhecimento, memória e liderança feminina no Quilombo córrego do Meio, MG"
AUTORÍA: Cecília Panzeri Rodrigues (Universidade Federal de Viçosa- UFV, Minas Gerais, Brasil), Gabriela Cristina Vieira dos Santos (Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de Viçosa – UFV, Minas Gerais, Brasil), Gabriel de Leles Batista Chaves (Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de Viçosa – UFV, Minas Gerais, Brasil), Dra. Marisa Barbosa Araujo (Departamento de Ciências Sociais, Universidade Federal de Viçosa – UFV, Minas Gerais, Brasil)
RESUMEN / RESUMO: Esta comunicação tem como objetivo analisar, a partir da narrativa de uma liderança feminina, aspectos da trajetória de reconhecimento da Comunidade Quilombola Córrego do Meio, localizada em Airões, distrito de Paula Cândido, na Zona da Mata mineira. Parte-se da compreensão de que os processos de reconhecimento quilombola não se restringem aos procedimentos jurídicos-administrativos, envolvendo também as memórias familiares, vínculos de pertencimento, práticas comunitárias e modos de narrar a permanência no território.
Propomos tomar a trajetória desta liderança como fio condutor para compreender como experiências individuais se articulam a processos coletivos de identificação, organização comunitária e afirmação territorial. Buscamos observar de que modo lembranças sobre o passado contribuem para a elaboração de sentido sobre o quilombo e sobre a história local.
Nos apoiamos na escuta de narrativas biográficas, em diálogo com Kofes (2015) e compreendemos a narrativa como entrada para observar modos situados de produção de memórias, pertencimentos e reconhecimento.
Ao enfatizar a trajetória de uma mulher quilombola destacamos o papel das mulheres na transmissão das memórias e na sustentação de práticas comunitárias. Assim, esperamos contribuir para a compreensão dos modos pelos quais a memória, pertencimento e reconhecimento são produzidos em escala local, a partir da experiências e narrativas.