Mesas Redondas centrales modalidad presencial / Mesas-Redondas presenciais
Día 2: Jueves 05/11/2026 / Dia 2: Quinta-feira, 05/11/2026
Mesa Redonda 2 presencial: “Maestros y maestras del conocimiento y las prácticas tradicionales / Mestres e Mestras de Saberes e Práticas Tradicionais”
Horario / Horários: 14:00-15:30 hrs. (Sur de Brasil)
Lugar: Auditorio UNILA Jardim Universitario
Participantes:
Coordenadora: Leticia Oliveira Mendes
Moderador: Daniel Alejandro
Coordenador do Instituto de Estudos Avançados do Mercosul: Dr. Gersón Ledezma Meneses
Mestre em Saberes Indígenas: Nazane Martins (Cacica)
Mestre em Saberes Afro-Diaspóricos: Angela e Elias (Terreiro)
Mestra em saberes populares: Andrea Sotto (MMC)
RESUMEN / RESUMO: Esta mesa propõe um espaço de diálogo crítico e decolonial fundamentado nas Antropologias do Sul. O objetivo central é enfrentar as crises contemporâneas do sistema-mundo moderno-colonial através da valorização de saberes ancestrais, práticas comunitárias e processos de re-existência em Abya Yala.
A mesa foca na relação entre território, poder e interseccionalidade, destacando o protagonismo de povos indígenas, quilombolas e movimentos sociais contra o modelo neoliberal extrativista. Priorizam-se metodologias engajadas e participativas que buscam a justiça epistêmica e a construção de alternativas civilizatórias que defendam a vida humana e a natureza.
Eixos principais:
Conflitos socioambientais e poder territorial.
Enfrentamento ao racismo religioso.
Autogestão e ecologias contra-coloniais.
1. Mestra de conhecimentos indígenas
Nazane Martins é mãe, primeira mulher cacica da Tekoha Nhemboete e uma importante liderança indígena atuante nas áreas de arqueologia, audiovisual, turismo arqueológico e fortalecimento comunitário. Desenvolve trabalhos ligados ao sítio arqueológico da Tekoha Nhemboete, articulando a valorização da memória, da cultura e do território indígena.
Participa ativamente da organização das mulheres indígenas e é presidenta da Associação Indígena Jheiko Pora Reka. Também integra o Conselho dos Caciques do Território Indígena Guasu Guajira, contribuindo nas discussões e articulações políticas em defesa dos direitos territoriais e culturais dos povos indígenas.
Além disso, atua como assessora de projetos na iniciativa Opala Chão Indígena, colaborando em ações voltadas ao fortalecimento das comunidades indígenas, da autonomia territorial e da produção de conhecimentos tradicionais.
2. Mestre em Saberes Afro-Diaspóricos
Maria Ângela da Silva Santos, conhecida como mãe Ângela, nascida em São Paulo (SP), em 07 de julho de 1964. Quando tinha 23 anos, conheceu Mãe Marina, onde começou a frequentar o Ilê Asé Oju Ogún Funmilayó – Caboclo Boiadeiro 7 Laços, local em que Mãe Marina era Iyalorixá e fui nomeada Ekedji da comunidade. Casada há 43 anos com Elias Marques dos Santos Filho e mãe de Sheila e Diego. Além da dedicação religiosa, atua na comunidade, sendo as principais atividades:
Conselheira no COMSEA – Conselho Municipal de Segurança Alimentar.
Conselheira no COMPIR – Conselho Municipal da Promoção da Igualdade Racial.
Vice-presidente da AREMAFI – Associação Religiosa de Matriz Africana de Foz do Iguaçu.
Organizadora da celebração do Aniversário de Iemanjá, tradicional evento que reúne comunidades religiosas e culturais em torno da fé e da ancestralidade.
Elias Marques dos Santos Filho, conhecido como Pai Elias, nascido em São Paulo (SP), casado há 43 anos com Maria Ângela da Silva Santos, pai de Sheila e Diego. Tem trinta e nove anos de iniciação ao Orixá Oxóssi. É Axogun do Ilê, função em que cuida das práticas rituais, dos orôs, das folhas, das comidas, dos instrumentos e das ferramentas sagradas, sempre com a responsabilidade de manter os fundamentos e a tradição do Candomblé. Sua vida está profundamente ligada a esses saberes de matriz africana, transmitidos de geração em geração, e é sua missão preservá-los e passá-los adiante. Também é percussionista do Afoxé Fúnmilaiyó e Conselheiro Fiscal da Associação do Movimento Cultural Afoxé Ogún Fúnmilaiyó III.
3. Mestra em saberes populares
Andrea Guadalupe Sotto Calonga, mãe atípica da Flora de 9 anos, artesã e artista plástica amadora, migrante desde 2010, paraguaia nascida em 22 de junho de 1990 no Bairro Obrero de Asunción. Bacharela em Desenvolvimento Rural e Segurança Alimentar (2022), Mestra em Políticas Públicas e Desenvolvimento (2025), atualmente Doutoranda do Programa de Pós Graduação Interdisciplinar em Energia e Sustentabilidade, a formação acadêmica na sua íntegra foi e é desenvolvida na Universidade Federal da Integração Latino-Americana, UNILA. Representante do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC) no Conselho da Cidade de Foz do Iguaçu, Suplente na Coordenação da APG-ARANDU, Associação de Pós Graduandos da UNILA. Áreas de estudo e interesse: artesanato como estratégia de desenvolvimento local, agricultura urbana, cidades resilientes, ecoeficiência na agricultura, estratégias e técnicas sustentáveis para a agricultura, segurança e soberania alimentar no maternar.
Andrea é uma cultivadora de saberes ancestrais que encontra sua identidade no ato de plantar e cuidar. Em seu quintal produtivo, mantém viva uma prática que transcende a simples agricultura: cultiva ervas medicinais, plantas ornamentais e alimentos sazonais como girassóis, quiabo, tomate e pimentão, além de dois pés de maracujá que representam sua maior produção. Apesar dos desafios impostos pelas estações, o calor abrasador do verão que queima as plantas e o frio úmido do inverno que as sufoca não desiste. Porque para Andrea, plantar não é apenas semear; é um ato de resistência, de continuidade e de profundo reconhecimento de si mesma através dos conhecimentos que herda e pratica todos os dias.